Quem é Eduardo Fischer, novo marqueteiro de Flávio Bolsonaro

Eduardo Fischer e Flávio BolsonaroReprodução/Linkedin e Divulgação/Câmara dos Deputados

O senador Flávio Bolsonaro (PL) escolheu o publicitário Eduardo Fischer para comandar sua pré-campanha ao Palácio do Planalto em meio à maior crise da candidatura até agora. A troca ocorre depois da repercussão dos áudios e pagamentos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro e ao filme “Dark Horse”, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Fischer assume com carta branca para mexer na estrutura de comunicação, trocar integrantes da equipe e reorganizar a estratégia digital e de imprensa. A missão, segundo aliados de Flávio, é conter o desgaste político e recuperar a confiança do mercado, do setor produtivo e de parte da classe política após o escândalo envolvendo o Banco Master.

A primeira mudança já aconteceu. Rodrigo Saccone deixou a assessoria de imprensa da campanha na quarta-feira (20), embora siga ligado ao coordenador da pré-campanha, o senador Rogério Marinho (PL). Também há expectativa de mudanças na área digital.

De campanhas históricas da publicidade ao marketing político

Eduardo Fischer é um dos nomes mais conhecidos da publicidade brasileira dos anos 1990 e 2000. Fundador da agência Fischer & Justus, ao lado de Roberto Justus, ele criou campanhas que marcaram época na televisão brasileira.

Entre os trabalhos mais conhecidos estão “Brahma Número 1”, que popularizou o gesto do dedo levantado durante a Copa de 1994, o bordão “Experimenta”, da Nova Schin, e a volta do “baixinho da Kaiser”.

O publicitário também comandou campanhas para empresas como Volkswagen, JBS, Melitta e Sabesp.

Ao longo da carreira, acumulou mais de 700 prêmios nacionais e internacionais e entrou para o Hall da Fama do FIAP, festival ibero-americano de publicidade.

Passagem discreta pela política

Apesar do peso no mercado publicitário, Fischer tem pouca experiência eleitoral. Seu principal trabalho político foi na campanha presidencial de Álvaro Dias (MDB) em 2018. O então candidato terminou a disputa com 0,8% dos votos válidos.

Nos bastidores da pré-campanha bolsonarista, a chegada do publicitário divide opiniões. Integrantes do grupo afirmam reservadamente que Fischer estaria “desatualizado” em relação às novas dinâmicas digitais e ao modelo de campanhas hipersegmentadas nas redes sociais.

Ainda assim, o entorno de Flávio aposta no peso do nome e na experiência em gestão de imagem para tentar reorganizar a candidatura.

Crise envolvendo Daniel Vorcaro acelerou troca

A mudança no marketing foi precipitada pela crise causada pela revelação de transferências milionárias ligadas ao filme “Dark Horse”, documentário sobre Jair Bolsonaro.

Reportagem do The Intercept Brasil informou que o empresário Daniel Vorcaro teria destinado cerca de R$ 61 milhões para financiar a produção, valor que faria parte de um acordo total estimado em R$ 134 milhões.

  • RELEMBRE O CASO: Flávio Bolsonaro admite visita a Vorcaro após prisão do banqueiro

Após negar vínculos com o banqueiro, Flávio admitiu ter buscado investidores privados para o projeto e confirmou reuniões com Vorcaro. O senador afirma que o empresário deixou de cumprir parcelas previstas no contrato e diz ter encerrado a parceria depois da prisão do banqueiro.

A avaliação dentro da campanha é que o antigo marqueteiro, Marcello Lopes, falhou na condução da crise. Ele acabou substituído poucos dias após a divulgação dos áudios.

Agora, Fischer assume a tarefa de reconstruir a narrativa da campanha e tentar reduzir o impacto político do caso sobre a imagem do senador.

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