
O motorista da BMW que matou um jovem de 20 anos na Rodovia Presidente Dutra (BR-116) vai a júri popular. A decisão foi publicada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) nesta última quarta-feira (20).
A data do júri ainda não está marcada.
O documento foi assinado pelo juiz Milton de Oliveira Sampaio Neto. Ele entende que o réu, identificado como Heitor Rabelo Stetner, assumiu o risco de provocar um acidente fatal ao dirigir em alta velocidade após consumir bebida alcoólica.
“Verte do conjunto probatório acima alinhavado que a materialidade restou provada e que se reuniram suficientes indícios de autoria. Os relatos colhido sem Juízo e os elementos de prova documental e pericial convergem no sentido de indicar que o réu teria conduzido sua BMW em velocidade superior à permitida, após expressiva ingestão e álcool.”
Sendo assim, cabe agora aos jurados decidirem se houve crime doloso contra a vida ou se vão prevalecer os argumentos da defesa.
O acusado, que está preso preventivamente, também vai continuar sob custódia. Ele está preso desde o dia 22 de outubro de 2020.
No documento, o juiz afirmou que há a existência de avarias compatíveis que confirmam a dinâmica do acidente que foi descrita pelas testemunhas.
Além disso, ele aponta que os acontecimentos foram desencadeados pela conduta inicial de Heitor.
“Esses atropelamentos, embora relevantes para a dimensão dos danos sofridos pela vítima, integram a cadeia causal desencadeada pela conduta inicial do réu, sem que haja rompimento do nexo causal em razão de tais eventos, que eram previsíveis como consequência da ejeção da vítima sobre a pista.”
A decisão traz também o depoimento das testemunhas do caso. Um funcionário da casa noturna em que o réu estava antes do acidente, além de duas acompanhantes, confirmou que Heitor havia ingerido bebida alcoólica.
Após o acidente, Heitor também foi para um posto de gasolina, onde comprou água, café e balas de menta na conveniência e ainda tentou pedir um motorista por aplicativo para fugir do local, conforme outra testemunha.
“Relatou ter visto Heitor sair do veículo BMW “desnorteado” e sem camisa. Afirmou que o comportamento de Heitor não parecia ser apenas decorrente do impacto (“pancada”), mas sim de um estado de embriaguez ou uso de substâncias, pois ele apresentava dificuldades de locomoção, andando de forma “cambaleante” e “trançando as pernas”. Relatou que o acusado comprou água, café e balas de menta na conveniência, o que interpretou como tentativa de mascarar o hálito etílico antes da chegada da polícia. Afirmou ainda que Heitor tentou fugir do local chamando um veículo de aplicativo, mas foi impedido por populares que estavam no posto e perceberam a gravidade da situação.”
O documento também aponta que Heitor foi autuado por excesso de velocidade na Via Dutra poucas horas antes do acidente.

O acidente
O acidente foi registrado em 28 de setembro de 2025, por volta das 5h30, na Rodovia Presidente Dutra (BR 116), na altura do quilômetro 148 no bairro Jardim Oswaldo Cruz, em São José dos Campos, no Vale do Paraíba, no interior de São Paulo.
Um jovem de 20 anos, identificado Matheus Helfstein, morreu no local.
Segundo as informações da polícia, o acidente foi causado por Heitor, que bateu na traseira do veículo de aplicativo em que estava Mateus.
Heitor estava em alta velocidade e bateu na traseira de um Honda Fit. Mateus estava sem cinto e foi arremessado para a pista. Ele foi atropelado por outros dois veículos.
O motorista de aplicativo, Rogério Firmo de Almeida, que conduzia o Honda Fit, também ficou ferido.
O caso foi registrado como homicídio culposo na direção de veículo automotor.

