
Projeto de conservação foca na Ararajuba
Do Cerrado à Amazônia, projetos de conservação tentam evitar o desaparecimento de algumas das espécies ameaçadas do Brasil. Entre elas estão aves como o pato-mergulhão, a ararajuba e a arara-azul-de-lear, que hoje dependem de ações de monitoramento, reintrodução e proteção de habitat para sobreviver.
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Em diferentes regiões do país, pesquisadores, comunidades locais e iniciativas de conservação trabalham para recuperar populações reduzidas por fatores como tráfico de animais, perda de habitat e degradação ambiental.
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Ação na Serra da Canastra
Parte das ações desenvolvidas nas escolas também busca proteger o pato-mergulhão
Na Serra da Canastra, em Minas Gerais, uma das principais preocupações é proteger o pato-mergulhão, considerado uma das aves aquáticas mais ameaçadas do Brasil. A espécie depende de rios limpos e ambientes preservados para sobreviver.
Pesquisadores da região monitoram a presença da ave e desenvolvem ações de educação ambiental nas comunidades rurais próximas às áreas onde ela ainda é encontrada. A proposta é conscientizar moradores sobre a importância da conservação dos rios e nascentes da Canastra.
A qualidade da água é considerada fundamental para a sobrevivência da espécie. Sensível às alterações ambientais, o pato-mergulhão precisa de cursos d’água preservados tanto para alimentação quanto para reprodução.
Ararajuba
BluestOne mantém parceria científica com a Fundação Lymington, que reproduz e devolve aves à natureza, com a ararajuba
Crédito: Divulgação
No Pará, outro projeto acompanha a reintrodução da ararajuba, ave que desapareceu da região por cerca de 100 anos. A espécie sofreu ao longo do tempo com o tráfico de animais silvestres, a perda de habitat e outros impactos ambientais.
Em uma nova etapa do trabalho de conservação, 15 ararajubas foram soltas em uma área de mata no Parque Estadual do Utinga, em Belém. Antes da reintrodução, as aves passaram por um longo período de treinamento para aprender a buscar alimento e identificar possíveis predadores na natureza.
Os pesquisadores acompanham cada fase da adaptação dos animais em vida livre. Segundo os responsáveis pelo projeto, um dos principais sinais de sucesso da reintrodução é a reprodução natural das aves já soltas na região.
Arara-azul-de-lear
Arara-azul-de-lear quase desapareceu do norte da Bahia por causa do tráfico de animais silvestres
Crédito: Divulgação
No interior da Bahia, a arara-azul-de-lear também se tornou símbolo de uma mobilização pela conservação. Encontrada apenas no Brasil, a espécie chegou a ter populações extremamente reduzidas em algumas áreas da Caatinga.
Projeto de conservação foca na Arara-azul-de-lear
Projetos desenvolvidos na região do Boqueirão da Onça trabalham na reprodução e reabilitação das aves, além da participação das comunidades locais na preservação da espécie. Em algumas áreas, onde antes havia apenas poucos indivíduos, hoje já existem filhotes nascidos na natureza.
Papagaio-de-peito-roxo
Projeto de conservação foca no papagaio-de-peito-roxo
Outra espécie que vem sendo alvo de ações de conservação é o papagaio-de-peito-roxo, ave típica da Mata Atlântica e afetada principalmente pelo tráfico de animais silvestres. Em um dos projetos acompanhados pelo Terra da Gente, aves resgatadas passam por um processo de reabilitação antes de serem devolvidas à natureza.
Segundo os responsáveis pelo trabalho, a reintrodução da espécie busca recuperar populações que desapareceram de fragmentos da Mata Atlântica ao longo dos anos. Os papagaios permanecem em viveiros até períodos com maior oferta de alimento na floresta, etapa considerada importante para aumentar as chances de sobrevivência em vida livre.
Papagaio-de-peito-roxo da soltura de 2023 que está adaptado e vivendo no local
Mariana Bertrand
Os pesquisadores afirmam que um dos principais indicadores de sucesso ocorre quando os animais reintroduzidos conseguem se reproduzir na natureza. Em um dos casos monitorados, aves já soltas deram origem a novos filhotes em ambiente natural, sinal de que a espécie está conseguindo voltar a ocupar áreas onde antes havia desaparecido.
Além das pesquisas e do monitoramento, os projetos também tentam aproximar moradores da conservação. Em Cercadinho, povoado no norte da Bahia, uma sessão de cinema ao ar livre exibiu para a comunidade imagens do trabalho desenvolvido com a arara-azul-de-lear.
Pesquisadores afirmam que o envolvimento das populações locais é fundamental para garantir a proteção das espécies ameaçadas. A ideia é unir conhecimento científico e saberes tradicionais para fortalecer as ações de conservação.
Apesar dos desafios, os projetos mostram que a recuperação de espécies ameaçadas é possível quando há monitoramento contínuo, preservação ambiental e participação das comunidades. Em diferentes biomas brasileiros, iniciativas de conservação tentam garantir que aves raras continuem fazendo parte da biodiversidade do país.
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