Conheça características do café arábica, variedade cultivada por Sabrina Sato em fazenda no interior de SP


Propriedade da família de Sabrina Sato fica no interior de SP e produz café sustentável
No mundo da cafeicultura, existem algumas variações de cultivo dessa fruta, que é consumida pela esmagadora maioria dos brasileiros. Ao todo, segundo um estudo divulgado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), são 124 plantas relacionadas ao gênero Coffea, mas apenas duas são utilizadas: o arábica e o conilon.
Na fazenda de Sabrina Sato, localizada em Piraju (SP), são 50 hectares voltados ao cultivo do café arábica, que, quando falamos de consumo, ocupa o primeiro lugar na casa dos brasileiros. Para o Dia Nacional do Café, celebrado neste domingo (24), o g1 conversou com o diretor de uma empresa de alimentos de Itapetininga (SP), que produz o grão, para entender melhor como ele é feito.
Ércio explica que a principal diferença entre os dois tipos está na classificação de bebida, que o arábica possui e o conilon não. No caso da primeira variação, ela pode ser classificada de diversas formas, como “bebida mole”, que apresenta doçura natural, suavidade e acidez equilibrada, ou “bebida dura”, que é mais áspera e “amarra” a boca.
“O arábica tem diversas classificações: estritamente mole, mole, duro, riado, rio, entre outras. Então, se eu for comprar o café arábico, eu já pergunto se é bebida dura, pois sei o que vou encontrar. O arábica tem doçura, tem açúcar. O conilon não”, pontua.
O conilon é voltado àqueles que gostam de sentir um sabor mais acentuado no café, devido à quantidade maior de cafeína presente no grão. No entanto, segundo Ércio, o arábica possui um preparo muito mais trabalhado.
“O arábica tem um teor menor de cafeína e uma acidez maior, enquanto o conilon não tem essa classificação. Ele é uma bebida neutra. O preparo do arábica é muito mais trabalhoso por não ter a mesma resistência que o outro tipo”, comenta.
Café é produzido na fazenda de Sabrina Sato, em Piraju (SP)
Diogo Del Cistia/g1
O tipo produzido por Sabrina Sato é produzido em diversas localidades do país, como São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia. Ele é encontrado principalmente nos cafés expresso e nos gourmetizados.
“Ele é o mais consumido pelos brasileiros de forma indiscutível. Quando se fala em qualidade, com certeza é o café arábica. Nos cafés tradicionais, é muito usada a blendagem do arábica com o conilon para diminuir o custo do produto final”, diz.
Conforme o diretor, há uma diferença no valor da saca de cada tipo de café: R$ 1,5 mil para o arábica, R$ 1 mil para o conilon. Independentemente da variedade, a safra acontece uma vez por ano, mas em períodos diferentes.
“O conilon já começou a ser colhido em abril, enquanto o arábica é de junho em diante. Depois de colhido, ele passa por uma série de procedimentos até chegar ao consumidor”, conta.
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Após a colheita, o café passa por um processo de lavagem, que consiste em retirar a casca da fruta e armazenar somente o grão. O empresário pontua que ele deve, preferencialmente, ser colhido de forma madura.
“Café do mundo inteiro tem que passar por esse processo. Além de lavado, ele tem que ser secado em um terreiro. Aqui, no Brasil, 90% dos cafeicultores fazem dessa forma. A cada dois dias, ele é ‘virado’ e não pode tomar chuva de jeito nenhum, porque acaba perdendo valor de mercado. O café que tomou chuva, literalmente tem gosto de chuva”, revela.
‘Fã de carteirinha’
O jornalista João Torres é apenas um dos milhões de fãs que o café conquistou no país e ao redor do planeta. O consumo começou já na adolescência e, ao g1, ele confessa que, por muitos anos, tomou café somente pelo vício e necessidade da cafeína.
“Durante todos esses anos a maneira que eu consumo café mudou bastante. Entre 2019 e 2024 eu consumi mais por vício e necessidade da cafeína do que por realmente gostar da bebida café. Aqui no Brasil o que mais é ofertado e mais acessível são os cafés extrafortes e tradicionais, então, como a grande maioria, eu tomei esse tipo de café por muitos anos”, conta.
Depois do período, o profissional, que também é proprietário de uma lanchonete, passou a se interessar de forma real e aprofundada no cultivo do café. Agora, ele enxerga o consumo como um “ritual” no dia a dia.
Local possui 50 hectares de produção
Diogo Del Cistia/g1
“Comecei a me interessar sobre café de especialidade, seus tipos de torra e métodos de preparo. Todos os dias de manhã, eu moo o grão na hora para passar um coado. Comecei a acordar até mais cedo para ter tempo de preparar um café bom. A importância está em entender que café especial é um alimento fresco”, opina.
João costuma comprar cafés de diferentes produtores e é apreciador da bebida com notas florais. Para ele, a experiência fica ainda mais incrementada ao encontrar variedades consideradas “gourmetizadas” e atrativas ao público fã da cafeicultura.
“Gosto de diversificar, experimentar várias notas, mesmo achando que um café floral é o que mais me surpreende. Sempre busco cafés diferentes para, também, treinar o paladar e conhecer outras notas. Não só isso, mas também consumo o café de outras formas, como uma receita de brownie que vai café e raspas de laranja. Quando viajo, gosto de criar roteiros de cafeterias para conhecer”, finaliza.
‘Fazenda Nossa Terra’
Sabrina é aprendiz do programa de sustentabilidade da Nestlé
Divulgação/Nestlé
Ao g1, Sabrina conta que o café arábica não é algo recente na família. Seu pai, Omar, já trabalhou com a produção da variação antes mesmo da compra da propriedade e, para ela, a região de Piraju significa uma conexão entre a região e o passado de todos os parentes.
“A conexão com o café já vinha da minha família. Meu pai já tinha trabalhado com o café arábica há muitos anos, então, quando vimos a fazenda, nosso olho brilhou muito. A região é muito linda, preservada, com muita natureza ao redor e com acesso fácil, o que, para nós, faz toda a diferença. A gente se apaixonou logo de cara”, diz a apresentadora.
A propriedade existe há cerca de seis anos e, em abril, passou a integrar uma ação da Nestlé voltada à sustentabilidade na cafeicultura, o Nescafé Plan.
Nascida e criada em Penápolis, cidade que também fica no interior do estado, Sabrina conta que escolheu Piraju por muitos motivos específicos. Entre eles, ela cita a beleza da região, que é contemplada por paisagens paradisíacas às margens da Represa de Jurumirim.
Karina Sato, irmã de Sabrina, conta que a paixão pelo café começou com o pai, grande consumidor da bebida. Segundo ela, a produção também se tornou uma “válvula de escape” para ele, que foi diagnosticado com câncer no pâncreas em agosto de 2025.
“Meu pai tinha descoberto um câncer e estava super debilitado. Aquilo [o café] deu uma vontade a ele de se curar. Ele sempre foi uma pessoa muito preocupada em não usar agrotóxicos e em fazer o produto vir o mais puro possível para a xícara. Por isso, decidimos fazer o nosso próprio café”, conta.
Além do arábica, é possível visualizar plantações de diferentes tipos de frutas em menor escala dentro da fazenda, principalmente banana. Segundo Karina, as escolhas de cultivos adjacentes não é aleatória, servindo exclusivamente para a proteção do café, de uma forma que elimine o uso de fertilizantes.
“Proteger o solo e diversificar o cultivo é extremamente importante para o café. Isso deixa ele mais nutritivo e depende menos dos fertilizantes. A banana, por exemplo, protege do vento, enquanto o maracujá doce está no meio do café. É tudo muito pensado. Tem mamão, quiabo, acerola, limão e outros”, esclarece.
Karina (ao centro) é frequentadora da fazenda
Divulgação/Carol Sperandio Fotografia
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