Itaú mantém cenário de juros altos até 2026 e vê economia em desaceleração

"Choque tarifário pressiona câmbio e economia no Brasil", aponta MB Associados

O Itaú manteve suas projeções de que o Banco Central só começará a cortar juros no primeiro trimestre de 2026, com uma taxa Selic terminal estimada em 12,75% ao fim do mesmo ano. O banco reforça que o Copom deve seguir comprometido em manter os juros em níveis elevados por um período prolongado, diante de sinais mistos na atividade e na inflação.

Segundo o relatório, a instituição cortou levemente suas projeções de inflação, prevendo agora um IPCA de 4,7% em 2025 (antes 5,0%) e 4,3% em 2026 (antes 4,4%). O movimento reflete um cenário de desaceleração gradual da economia, mas ainda com pressões inflacionárias persistentes em alguns segmentos de serviços.

O que explica a manutenção da Selic alta?

De acordo com o Itaú, a economia brasileira vem mostrando resiliência no mercado de trabalho, mas já há indícios de arrefecimento. Dados recentes apontam para uma continuidade da desaceleração no terceiro trimestre de 2025, o que deve moderar o ritmo de crescimento sem, no entanto, abrir espaço para cortes antecipados na taxa básica.

O banco manteve sua estimativa de crescimento do PIB em 2,2% para 2025 e 1,5% para 2026, reforçando a leitura de que a atividade deve seguir em desaceleração controlada, com impulso moderado do consumo e desaceleração do crédito.

Como o câmbio deve se comportar?

Em relação ao câmbio, o Itaú avalia que o real tem se beneficiado do ambiente global de dólar mais fraco, mas que fatores domésticos — especialmente a incerteza fiscal e política — limitam o avanço da moeda brasileira. A projeção é de um dólar a R$ 5,35 em 2025 e R$ 5,50 em 2026.

Segundo o banco, enquanto o cenário externo mostra maior apetite por risco, o ambiente interno segue exigindo cautela. “O real tende a acompanhar o dólar global, mas o prêmio de risco doméstico impede ganhos mais expressivos”, aponta o relatório.

Perspectivas gerais

  • Selic: 12,75% em 2026
  • Início dos cortes: 1º trimestre de 2026
  • IPCA: 4,7% (2025) e 4,3% (2026)
  • PIB: 2,2% (2025) e 1,5% (2026)
  • Câmbio: R$ 5,35 (2025) e R$ 5,50 (2026)

O Itaú reforça que, mesmo com a melhora marginal nas projeções inflacionárias, a política monetária deverá permanecer em território contracionista por um período prolongado, até que haja clareza maior sobre a consolidação fiscal e a trajetória das expectativas de inflação.

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