Papa Leão XIV pede perdão histórico por apoio à escravidão

Papa Leão XIV critica ameaça ao Irã e pede fim imediato da guerraReprodução/Vaticano News

O papa Leão XIV fez nesta segunda-feira um pedido histórico de desculpas pelo papel do Vaticano na legitimação da escravidão ao longo dos séculos. Em sua primeira encíclica, intitulada Magnifica Humanitas (“Magnífica Humanidade”), o pontífice reconheceu publicamente que antigos líderes da Igreja Católica deram respaldo à submissão e escravização de povos considerados “infiéis” durante a expansão colonial europeia. As informações são da AP.

Segundo o texto, o líder da Igreja classificou esse passado como uma “ferida na memória cristã” e afirmou que a instituição falhou ao não condenar a escravidão por séculos. Apesar de papas anteriores já terem lamentado a participação de cristãos no tráfico transatlântico de escravos, esta é a primeira vez que um pontífice admite oficialmente a responsabilidade direta da Santa Sé na autorização dessas práticas.

Papa Leão XIV durante a missa da Vigília PascalDivulgação/Vatican News

Nascido nos Estados Unidos, Leão XIV também possui uma história familiar ligada tanto a pessoas escravizadas quanto a proprietários de escravos. A declaração aconteceu dentro de um documento voltado aos impactos da inteligência artificial e às novas formas de exploração humana na era digital.

Ao longo da encíclica, o papa relaciona a escravidão histórica com práticas modernas que considera abusivas, como condições precárias de trabalho na extração de minerais raros utilizados na fabricação de chips para inteligência artificial. Para ele, a revolução tecnológica pode criar novas formas de colonialismo econômico e dependência social.

A pesquisadora Anthea Butler afirmou que o reconhecimento era necessário para que a Igreja tivesse credibilidade ao discutir os riscos de exploração ligados às novas tecnologias. Segundo ela, descendentes de pessoas escravizadas aguardavam havia décadas um pedido de perdão mais direto por parte do Vaticano.

No documento, Leão XIV escreveu que é impossível não sentir tristeza diante do sofrimento e da humilhação enfrentados por milhões de pessoas submetidas à escravidão, destacando que todos possuem dignidade humana infinita.

“Por isso, em nome da Igreja, peço sinceramente perdão”, declarou.

O texto também relembra documentos emitidos pelo Vaticano no século XV que autorizaram monarcas europeus a conquistar territórios na África e nas Américas e escravizar povos não cristãos. Um dos principais exemplos citados é a bula papal Dum Diversas, publicada em 1452 pelo papa Nicolau V, que concedia ao rei de Portugal autorização para invadir, conquistar e subjugar povos considerados inimigos do cristianismo.

Durante séculos, historiadores e movimentos sociais criticaram a posição da Igreja Católica nesse período da colonização europeia. Agora, o novo pronunciamento do Vaticano é visto como um dos gestos mais fortes já feitos pela instituição sobre o tema.

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