
RJ tem 3º maior número absoluto de jovens mortos de forma violenta no Brasil, diz Atlas da Violência
O estado do Rio de Janeiro possui o terceiro maior número de jovens vítimas de mortes violentas no Brasil, em dados absolutos. A informação consta no Atlas da Violência, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta terça-feira (26).
Apesar desse dado preocupante, o Rio de Janeiro também registrou a maior queda absoluta no número de homicídios entre 2023 e 2024. Ainda assim, mesmo com a melhora, o estado permanece acima da média nacional.
Segundo o levantamento, o Rio ocupa a terceira posição no país em mortes violentas de jovens entre 15 e 29 anos, ficando atrás apenas da Bahia e de Pernambuco. Quando considerada a taxa por 100 mil habitantes, o estado ocupa a segunda colocação na Região Sudeste.
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RJ está abaixo somente de BA e PE no número absoluto de homicídios de jovens, diz Atlas da Violência
Reprodução/ TV Globo
“Nesse enredo da violência, o jovem é o ator principal, tanto como vítima quanto como autor. Ele vive um período de transição, de afirmação na vida”, afirmou Daniel Cerqueira, autor do Atlas da Violência.
Em 2024, 1.714 jovens tiveram suas vidas interrompidas de forma violenta no estado. Entre as vítimas está Luís Felipe, filho da auxiliar de professora Antônia Divânia Araújo Alves, que foi baleado durante um assalto no Aterro do Flamengo e não resistiu. Ele tinha 27 anos e era professor de Educação Física.
“Meu filho foi maravilhoso: filho, neto, sobrinho, primo, amigo. Foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. E, até hoje, nada voltou ao normal depois que ele partiu”, disse Antônia.
Luís Felipe, filho de Antônia, foi morto ao sair de um lual no Aterro do Flamengo
Reprodução/ TV Globo
Ela relata que ainda é difícil relembrar o ocorrido.
“Ele saiu para a casa da namorada e, de lá, foram para um luau no Aterro. Às 18h20, um amigo dele me ligou e contou o que tinha acontecido”, lembra.
Homicídios
No total de homicídios, o Estado do Rio de Janeiro apresentou a maior redução do país entre 2023 e 2024.
Reprodução/ TV Globo
No total de homicídios, o estado do Rio de Janeiro apresentou a maior redução do país entre 2023 e 2024. Mesmo assim, a taxa segue acima da média nacional, que foi de 20,1 mortes por 100 mil habitantes em 2024, enquanto o Rio registrou 20,4.
“Há uma tendência de queda dos homicídios no Rio desde 2003. Ao mesmo tempo, ocorreu uma mudança no modus operandi do crime. Antes, muitos conflitos eram resolvidos com mortes; hoje, há uma expansão do controle territorial armado e de outros crimes, como a extorsão”, explicou Cerqueira.
Homicídios ocultos
O Atlas da Violência também contabiliza os chamados homicídios ocultos — mortes violentas que não foram oficialmente classificadas como assassinatos, mas que podem se encaixar nessa categoria. No Rio de Janeiro, foram registrados 682 casos em 2024.
“Existem duas bases de dados sobre homicídios no Brasil: os registros da polícia e os da saúde. Muitas vezes, não há compartilhamento de informações entre esses sistemas, o que dificulta a elucidação dos casos. Assim, surgem os registros de mortes violentas com causa indeterminada. Resolver isso é possível, mas depende de vontade política”, destacou Cerqueira.
Para as famílias que perderam entes queridos de forma violenta, resta o desejo por justiça e a dor de ver seus casos reduzidos a números.
“Para uma mãe que perde um filho, ficar no escuro, sem saber o que aconteceu, é algo muito doloroso. Para mim, meu filho virou apenas mais um número na estatística. A gente tenta mostrar para a sociedade que está bem, mas meu coração está dilacerado”, finalizou Antônia.
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