720 metros de profundidade e neve no inverno gaúcho: a Terra dos Cânions abriga o maior conjunto de paredões da América do Sul a 190 km de Porto Alegre

720 metros de profundidade e neve no inverno gaúcho: a Terra dos Cânions abriga o maior conjunto de paredões da América do Sul a 190 km de Porto Alegre

Nos Campos de Cima da Serra, a 1.000 metros de altitude, Cambará do Sul guarda os dois cânions mais impressionantes do Brasil. A pequena cidade gaúcha de pouco mais de 6 mil moradores reúne araucárias, geadas frequentes e duas unidades de conservação federais que protegem paredões esculpidos por lavas vulcânicas.

Dos tropeiros à doação que deu origem ao município

A região era rota dos tropeiros que levavam gado dos Campos de Cima da Serra até Sorocaba, no século XVIII. O povoado nasceu em 17 de abril de 1864, quando Dona Úrsula Maria da Conceição doou 20 hectares de terra para a construção de uma igreja em devoção a São José, segundo a Prefeitura Municipal de Cambará do Sul.

O nome vem do tupi-guarani e significa “folha de casca rugosa”, referência à árvore típica que abundava no local de pouso dos tropeiros. A cidade só conquistou emancipação em 1963, antes pertencia a São Francisco de Paula. Hoje preserva trechos de mata de araucárias que cobrem os planaltos da serra gaúcha.

Cambará do Sul, Rio Grande do Sul // Créditos: depositphotos.com / lltrarbach

Como se formou o maior conjunto de cânions da América do Sul?

As muralhas de rocha começaram a se formar há cerca de 190 milhões de anos, com derrames sucessivos de lava basáltica que deram origem ao Planalto Meridional do Brasil. A erosão escavou as gargantas que hoje se estendem por mais de 200 km na divisa entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina, segundo dados geológicos do Grupo Serra Geral.

Dois parques nacionais protegem o conjunto: o Parque Nacional de Aparados da Serra, criado em 1959 como uma das primeiras unidades de conservação federais do país, e o Parque Nacional da Serra Geral, criado em 1992. Ambos são administrados pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), com concessão atual da empresa Urbia Cânions Verdes.

Cambará do Sul, Rio Grande do Sul // Créditos: depositphotos.com / bermed2009.hotmail.com

O Itaimbezinho e seus 5,8 km de paredões cortados a facão

O cânion mais famoso do Brasil fica a 18 km do centro da cidade e impressiona pelas dimensões: 5,8 km de extensão, 600 metros de largura e 720 metros de profundidade até o leito do rio, conforme a Prefeitura. O nome em tupi-guarani significa “pedra afiada”, referência aos paredões verticais que parecem ter sido cortados a facão.

O parque oferece três trilhas principais. A Trilha do Vértice tem 1,5 km e leva ao mirante com vista para as cascatas Andorinhas e Véu de Noiva. A Trilha do Cotovelo, de 6 km ida e volta, segue a borda do cânion. Já a Trilha do Rio do Boi percorre o interior da garganta, com acesso por Praia Grande (SC), e exige guia credenciado.

O Cânion Fortaleza e a vista até o Oceano Atlântico

A 23 km do centro, o segundo gigante da região tem 7,5 km de extensão, 2 km de largura e paredões que chegam a 900 metros de altura. O mirante principal fica a 1.157 metros de altitude e, em dias claros, permite avistar a cidade litorânea de Torres, a planície catarinense e até o Atlântico, segundo a Prefeitura de Cambará do Sul.

A região abriga ainda outros cânions menos visitados, como o Cânion Malacara e a Cachoeira do Tigre Preto, com queda de 400 metros. A Pedra do Segredo, uma rocha equilibrada sobre o abismo, é parada obrigatória nas trilhas da Serra Geral.

Quem deseja se aprofundar nas belezas e nos segredos de um dos destinos ecológicos mais fascinantes do Sul do país vai adorar este vídeo especialmente selecionado do canal Diogo Elzinga. Com mais de 1,4 milhão de visualizações, o vídeo funciona como um guia definitivo que vai muito além dos famosos cânions de Cambará do Sul, no Rio Grande do Sul, revelando relíquias históricas, lendas místicas, a cultura campeira e experiências exclusivas da região:

A cidade brasileira onde a neve é registrada quase todos os anos

Os episódios de neve são raros no Brasil, mas se concentram na cidade gaúcha. A última ocorrência oficial foi registrada em maio de 2025 pela Secretaria de Turismo do Rio Grande do Sul, com flocos caindo a temperaturas próximas de 0°C. As geadas são comuns entre maio e setembro.

Com pouco mais de 6 mil moradores, a cidade combina silêncio absoluto, gastronomia de campo baseada em pinhão, costela fogo de chão e queijo serrano. O termômetro da Praça São José, no centro, virou ponto turístico nos dias em que marca temperaturas negativas. A ocupação hoteleira chega a 90% nas semanas de frio intenso.

Quando o clima favorece cada tipo de passeio?

O inverno seco e frio é a alta temporada para quem busca neve e geada. O verão tem temperaturas amenas e mais chuvas no fim da tarde, segundo o Climatempo.

Estação Meses Temperatura Chuva O que fazer
Verão Dez-Fev 14-28°C Alta Trilhas e cachoeiras
Outono Mar-Mai 10-22°C Média Cânions com neblina
Inverno Jun-Ago 0-16°C Baixa Geadas e fogo de chão
Primavera Set-Nov 8-22°C Média Trilhas e mirantes

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Mínimas podem cair abaixo de zero em julho.

Como chegar à Terra dos Cânions

A 190 km de Porto Alegre, o acesso mais comum é pela BR-290 (Freeway) seguindo pela RS-020 via Taquara e São Francisco de Paula. O trajeto leva de 3 a 4 horas, todo asfaltado. Quem vem de Gramado percorre 112 km pela RS-235 e RS-020 em pouco menos de duas horas. O aeroporto mais próximo é o de Caxias do Sul, a cerca de 135 km.

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Conheça a cidade que reúne cânions, araucárias e neve no mesmo cenário

Poucos destinos brasileiros entregam paredões de 720 metros, mata de araucárias e termômetros negativos em uma mesma viagem. A pequena vila gaúcha guarda o que a natureza levou milhões de anos para esculpir.

Você precisa subir os Campos de Cima da Serra e ver Cambará do Sul ao amanhecer, quando a neblina sobe dos cânions e o frio corta o ar.

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