Jones Manoel, Kim Kataguiri e a estrutura de mentir na política

Jones Manoel, historiador e influencerCrédito: Youtube

Mentira que viraliza vale mais do que verdade que convence. A política brasileira já sabe disso.

Essa semana, Jones Manoel foi condenado a pagar 30 mil reais ao Kim Kataguiri por associá-lo ao PCC, corrupção, nazismo e outras acusações sem provas.

Em maio, Pablo Marçal também foi condenado a pagar 30 mil por divulgar conteúdo falso e ofensivo contra Ricardo Nunes durante a campanha eleitoral.

Em abril, o deputado Rafael Fera levou multa de 10 mil reais por espalhar informações falsas sobre a prefeita de Ariquemes.

Em janeiro, a vereadora Sonaira Fernandes foi condenada a pagar 20 mil reais ao Felipe Neto por divulgar uma imagem manipulada com uma frase que ele nunca disse.

Só eu, ou você também percebe um padrão nessas condenações?

Não importa o lado político. Tem esquerda, direita, bolsonarista, psolista, influenciador, deputado e vereador. O problema já nem é mais ideológico, é estrutural. A política brasileira entrou numa fase em que a mentira deixa de ser um acidente e se torna estratégia.

O político acusa alguém de ligação com o PCC. Crime. Roubo. Corrupção. Nazismo. Aí viraliza. Tem corte. Ganha engajamento. Mobiliza militância. Produz manchete. Destrói reputação. Meses depois vem a condenação: 10 mil. 20 mil. 30 mil.

Você pode pensar…

“Ora, 30 mil reais é uma grana, hien?

Será mesmo?” Será que o político não faz uma conta simples: o que vale mais, 30 mil reais ou milhões de visualizações, crescimento político e fortalecimento da base? A multa deixa de ser punição e vira custo operacional. Como a empresa que prefere pagar a multa ambiental porque poluir sai mais barato.

A internet criou um ecossistema em que acusação extrema dá muito mais resultado do que prudência. Simplesmente discordar de alguém não viraliza. Agora, “ele é ligado ao PCC”, “ele é nazista”, “ele roubou bilhões”, isso explode. O algoritmo recompensa indignação, e a política aprende rápido.

O ano eleitoral vai virando um campeonato de acusações absolutas.

Até chegar o dia em que, sei lá, um candidato dá uma cadeirada na cabeça do outro num debate ao vivo. E sabe o que é pior? A gente ri. É engraçado, claro que é. Mas a gente não se pergunta como é que isso chegou onde chegou.

Deveríamos saber analisar esse movimento para saber como e em quem votar. Se um político é capaz de associar alguém a um crime sem prova só para gantar capital político durante as eleições, o que ele será capaz de fazer quando chegar no poder?

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