Com 26 metros e alcance de 12.000 km, o drone submarino da Boeing cruza oceanos sozinho e custa dez vezes menos que um submarino

Um drone capaz de cruzar oceanos sem tripulação muda a escala da vigilância submarina moderna. O Orca XLUUV, desenvolvido pela Boeing para a Marinha dos EUA, mede 26 metros e foi projetado para missões longas em águas profundas.

Como o drone submarino da Boeing ganhou 26 metros?

O Orca XLUUV, sigla para Extra Large Unmanned Undersea Vehicle, nasceu como evolução do protótipo Echo Voyager. O projeto avançou após o contrato de US$ 274 milhões assinado em 2019 com a Marinha dos EUA.

Com o módulo de carga acoplado, o veículo chega a 26 metros de comprimento e desloca entre 80 e 85 toneladas. Sem esse módulo, mede 15,5 metros, mantendo uma estrutura grande para um sistema autônomo.

O Orca XLUUV (Extra Large Unmanned Undersea Vehicle) é uma evolução do protótipo Echo Voyager, que a Boeing vem desenvolvendo desde 2012

Leia também: Sem barriga e sem fuselagem traseira, este helicóptero usa um rotor gigante para despejar até 114 mil litros de água por hora

Por que o drone consegue cruzar 12.000 km sozinho?

A autonomia vem da propulsão híbrida diesel-elétrica. Quando navega submerso, o Orca XLUUV usa motores elétricos alimentados por baterias de íons de lítio, reduzindo ruído e exposição durante a maior parte da missão.

Quando retorna à superfície, o gerador a diesel recarrega as baterias e reinicia o ciclo. A velocidade máxima é de 8 nós, cerca de 15 km/h, mas o cruzeiro econômico de 3 nós favorece viagens de longa duração.

Ilustração mostra ciclo diesel-elétrico do drone submarino

Como o drone se orienta em águas profundas?

A navegação depende de uma combinação de sensores, comunicação controlada e inteligência embarcada. Segundo a documentação técnica na Wikipedia, o Orca deriva do Echo Voyager e usa arquitetura modular para missões de longa duração.

Os sistemas de navegação usados nesse tipo de operação cumprem funções diferentes durante a missão:

  • Sensores inerciais ajudam a manter a rota em profundidade
  • GPS é usado apenas quando o veículo emerge
  • Comunicação via satélite transmite dados ao comando
  • Sistema de bordo ajusta rotas e evita obstáculos

O que cabe no módulo de carga do Orca XLUUV?

O compartimento modular tem cerca de 10 metros e pode receber até 8 toneladas de equipamentos. Essa estrutura permite adaptar o mesmo veículo a missões diferentes, sem redesenhar o casco principal.

As aplicações previstas variam conforme o equipamento instalado no cais antes da operação:

Missão Equipamento embarcado Uso previsto
Vigilância Sensores acústicos Monitorar áreas marítimas extensas
Reconhecimento Sistemas eletrônicos Coletar dados de ambiente e comunicação
Mapeamento Sensores de detecção Identificar obstáculos e áreas de risco
Apoio naval Módulos intercambiáveis Adaptar a operação ao cenário da missão

A entrega do primeiro exemplar marcou uma fase importante do programa. O canal Military Coverage, com mais de 30,7 mil inscritos, registrou a cerimônia oficial de entrega do primeiro Orca XLUUV à Marinha dos EUA, em dezembro de 2023, com imagens dos testes de superfície e submersão:

Por que o drone custa menos que um submarino tripulado?

O custo estimado do Orca XLUUV é cerca de 1/10 do valor de um submarino convencional tripulado. A diferença vem da ausência de sistemas de suporte à vida, tripulação embarcada, áreas habitáveis e complexidade humana de operação em profundidade.

Além do preço menor, a lógica operacional muda. O veículo pode sair diretamente do cais, permanecer por longos períodos em patrulha e liberar submarinos tripulados para missões mais complexas, reduzindo risco humano em cenários de alta tensão.

O que o Orca revela sobre a nova fase submarina?

O Orca XLUUV mostra que a disputa submarina não depende apenas de embarcações tripuladas cada vez maiores. A nova fronteira combina autonomia, módulos trocáveis e presença prolongada em regiões onde manter pessoas a bordo seria caro, arriscado ou logisticamente difícil.

Essa mudança não elimina submarinos convencionais, mas amplia o alcance das frotas navais. Ao transformar um veículo autônomo em plataforma de patrulha, reconhecimento e testes, a Boeing coloca o oceano no centro de uma corrida por sistemas mais discretos, persistentes e flexíveis.

O post Com 26 metros e alcance de 12.000 km, o drone submarino da Boeing cruza oceanos sozinho e custa dez vezes menos que um submarino apareceu primeiro em BM&C NEWS.

Adicionar aos favoritos o Link permanente.