Focas em perigo e aves em queda: nova Lista Vermelha da IUCN revela avanço da crise ambiental global


Câmeras de monitoramento instaladas no Pantanal flagram animais ameaçados de extinção
O aquecimento global está colocando novas espécies em risco: três focas do Ártico subiram para categorias mais graves de ameaça de extinção, e mais da metade das aves do planeta está em declínio.
Os dados fazem parte da mais recente atualização da Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), divulgada nesta sexta-feira (10) durante o Congresso Mundial de Conservação, em Abu Dhabi.
A boa notícia vem do mar: a tartaruga-verde mostra sinais de recuperação após décadas de proteção.
A nova edição da Lista Vermelha reúne 172.620 espécies avaliadas, das quais 48.646 estão ameaçadas de extinção. Segundo a IUCN, os anúncios trazem sinais de alerta, como a situação de focas e aves, e um exemplo de sucesso com a tartaruga-verde.
Focas do Ártico sob pressão do gelo em retirada
A foca-do-capuz passou de “Vulnerável” para “Em Perigo”; a foca-barbuda e a foca-harpa saíram de “Pouco Preocupante” para “Quase Ameaçada”. A principal ameaça é a perda de gelo marinho, essencial para reprodução, muda, descanso e acesso a áreas de alimentação. O derretimento também altera hábitos alimentares e facilita o acesso humano ao Ártico, elevando os riscos.
Filhote de foca barbuda
Kit Kovacs
O aquecimento no Ártico ocorre quatro vezes mais rápido do que em outras regiões, reduzindo a extensão e a duração do gelo e afetando focas dependentes de gelo, morsas e outros mamíferos marinhos. Especialistas da IUCN apontam ainda pressões adicionais como navegação, ruído, exploração de petróleo e minerais, caça e captura acidental em pescarias. Entre as medidas recomendadas estão proteger habitats-chave, reduzir a captura incidental e controlar impactos de ruído.
Aves: retração global, com florestas tropicais no foco
A revisão de 1.360 espécies completa a oitava avaliação global de aves pela BirdLife International: 1.256 (11,5%) das 11.185 espécies estão ameaçadas e 61% apresentam declínio populacional, ante 44% em 2016. A degradação e a perda de habitat — sobretudo por expansão agrícola e extração de madeira — são as principais causas. Regiões com alerta crescente incluem Madagascar, África Ocidental e América Central.
A atualização cita exemplos: 14 aves endêmicas de florestas em Madagascar foram reclassificadas para “Quase Ameaçadas” e três para “Vulneráveis”; na África Ocidental, cinco espécies agora são “Quase Ameaçadas”; na América Central, o uirapuru-do-norte passou a “Quase Ameaçado”. As aves prestam serviços ecossistêmicos vitais — como polinização e dispersão de sementes — e seguem sob pressão adicional de espécies invasoras, caça, armadilhas e mudanças climáticas.
Tartaruga-verde: recuperação confirma efeito de longo prazo da proteção
A tartaruga-verde (Chelonia mydas) melhorou de “Em Perigo” para “Pouco Preocupante”, com aumento global estimado em cerca de 28% desde a década de 1970. A IUCN credita o avanço a ações prolongadas como proteção de fêmeas e ninhos, redução do consumo e do comércio, e uso de dispositivos de exclusão em redes de pesca. Iniciativas em Ascensão, Brasil, México e Havaí são citadas como particularmente bem-sucedidas. Apesar da melhora, persistem ameaças como captura incidental, coleta de ovos, desenvolvimento costeiro e efeitos das mudanças climáticas sobre praias de desova.
Extinções registradas na atualização
Seis espécies passaram para a categoria “Extinta”, entre elas o musaranho da Ilha Christmas, um caramujo-cone (Conus lugubris), o maçarico-de-bico-fino e a árvore Diospyros angulata. Três marsupiais australianos — marl, bandicoot-listrado do sudeste e bandicoot-de-Nulllarbor — e a planta havaiana Delissea sinuata entraram pela primeira vez na Lista já como “Extintas”.
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