Servidor da Funai investigado por desviar benefícios de indígenas é afastado do cargo no Acre


Carlos Francisco Brandão Shanenawa foi afastado pela Justiça Federal após suspeita de corrupção
Arquivo pessoal
O chefe da Unidade Técnica Local da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) de Feijó, interior do Acre, Carlos Francisco Brandão Shanenawa, foi afastado do cargo pela Justiça Federal por suspeita de desviar benefícios sociais de indígenas em situação de vulnerabilidade.
O afastamento é resultado da Operação Tutela Originária, deflagrada pela Polícia Federal na última quarta-feira (20). As investigações apontam que o suspeito utilizou a relação de confiança com integrantes de povos originários para reter cartões bancários e documentos pessoais sob a justificativa de auxiliar no acesso a benefícios assistenciais e serviços administrativos.
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Nesta quarta (27), o Ministério Público Federal (MPF) divulgou que pediu o afastamento cautelar de Carlos à Justiça Federal. Conforme a ação do MPF, foi relatado que o servidor ficava com os cartões bancários para controlar os benefícios previdenciários de indígenas Ashaninkas e Kulina.
Ao g1, Carlos disse que ainda não foi notificado do afastamento. A reportagem tenta contato com a Funai.
De acordo com a Justiça Federal, a permanência de Shanenawa no cargo de confiança pode comprometer a credibilidade da Funai perante as comunidades indígenas atendidas.
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O homem também deve devolver em 24 horas os bens da Funai que estão sob sua posse. Além disso, a Justiça determinou ainda as seguintes cautelares:
Suspensão imediata da nomeação do chefe da Unidade Técnica Local da Funai em Feijó;
Proibição de nova nomeação do servidor para funções de direção, chefia ou assessoramento relacionadas à política indigenista até o julgamento final da ação;
Proibição de acesso às dependências da unidade da Funai em Feijó enquanto durar o afastamento cautelar;
Obrigação de a Funai cumprir o afastamento no prazo de cinco dias, sob pena de multa diária.
Ainda conforme a decisão, as vítimas contaram que o crime ocorre desde 2012, e começou devido barreiras linguísticas, dificuldades de acesso ao sistema bancário e ainda a suposta dependência institucional da atuação da Funai para eles terem acesso aos benefícios.
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Na última quarta (20), a Polícia Federal cumpriu três mandados de busca e apreensão no município, para investigar possível participação de outras pessoas no esquema. Além disso, o homem também é o cacique do povo na região do Alto Rio Envira, o que consolida a tese.
As investigações apontam que o suspeito teria utilizado a relação de confiança com integrantes de povos originários, sobretudo por ser cacique, para reter não só os cartões, mas ainda, os documentos pessoais sob a justificativa de auxiliar no acesso a benefícios assistenciais e serviços administrativos.
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