
O Ministério Público de São Paulo e a Receita Federal fizeram nesta quinta-feira (28) uma operação contra um esquema bilionário de combustíveis ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), com alvos instalados na avenida Faria Lima, principal centro financeiro do país.
Segundo os investigadores, bancos digitais e empresas financeiras sediadas na região eram usados para esconder dinheiro do esquema, movimentar recursos de postos de combustíveis e dificultar o rastreamento pelas autoridades.
A ação, chamada de Fluxo Oculto, cumpre mandados em cinco estados e é um desdobramento da Operação Carbono Oculto, deflagrada no ano passado.
As investigações apontam que o grupo continuou movimentando bilhões mesmo após a primeira fase da operação. O dinheiro passava por fintechs, fundos de investimentos e empresas de fachada.
Em um dos casos investigados, valores de 56 postos eram enviados para uma única conta bancária antes de serem redistribuídos para outras empresas e operadores do esquema.
PCC aparece como beneficiário do esquema
Segundo o Gaeco, o PCC aparece nas investigações como integrante do mesmo “ecossistema financeiro ilegal” usado para lavagem de dinheiro e circulação de recursos ilícitos.
A investigação aponta conexões entre empresas do esquema e fintechs já associadas anteriormente à facção criminosa.
Entre elas estão a Sispay e a VPay. Segundo os investigadores, as empresas aparecem em relatórios ligados a fraudes financeiras e movimentações atribuídas a operadores do PCC.
A investigação também cita Ricardo Romano como um dos nomes ligados à conexão financeira entre o grupo investigado e a facção.
Dois apontados como líderes do esquema seguem foragidos desde agosto do ano passado: Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”.
Segundo o Ministério Público, os dois tentaram negociar acordo de delação premiada, mas a proposta foi rejeitada após omissões sobre lavagem de dinheiro, ligações com o PCC e suspeitas de corrupção policial.
Relatórios de inteligência financeira identificaram movimentações consideradas atípicas que chegam a R$ 3,86 bilhões.
O iG não conseguiu contato com as pessoas citadas. O espaço segue aberto para pronunciamento.
Nafta desviada abastecia adulteração
Outra frente da operação investiga o desvio de nafta petroquímica para adulteração de combustíveis.
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Segundo os investigadores, empresas de fachada simulavam a compra do solvente, que possui tributação inferior à gasolina. Na prática, o material era desviado para distribuidoras e misturado ao combustível vendido nos postos.
O Gaeco afirma que o esquema utilizava milhares de notas fiscais falsas e empresas registradas em nome de laranjas, incluindo pessoas em situação de vulnerabilidade social e até presos.
A investigação aponta desvio de mais de 135 milhões de litros de nafta em pouco mais de dois anos.
Só a empresa Petrodansk, segundo os investigadores, emitiu mais de 10 mil notas fiscais consideradas fraudulentas, movimentando R$ 1,49 bilhão.
O prejuízo estimado com sonegação fiscal supera R$ 200 milhões.
A empresa Petrodansk não foi localizada pela nossa equipe de reportagem, mas o espaço para manifestação segue aberto.
Fundos eram usados para esconder patrimônio
As investigações também miram fundos de investimentos usados para ocultar dinheiro do esquema.
Segundo o Ministério Público, empresas de fachada emitiam boletos pagos por fundos de investimentos para “limpar” recursos obtidos com combustíveis adulterados.
Três fundos aparecem entre os principais alvos da operação: Zeus FIDC-NP, Gran Capital FIDC-NP e FIDC DB Crédito Global.
Somados, os patrimônios monitorados nesses fundos ultrapassam R$ 200 milhões.
Participam da operação integrantes do Gaeco, Receita Federal, Agência Nacional do Petróleo (ANP), Secretaria da Fazenda de São Paulo, Procuradoria-Geral do Estado, Polícia Civil e Polícia Militar.
