Rumores apontam candidatura feminina à Presidência pelo DC

Aldo Rebelo, Thais Infante e Joaquim BarbosaReprodução

A decisão do Democracia Cristã (DC) em desistir da pré-candidatura de Aldo Rebelo e lançar o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa na corrida presidencial resultou em um grande racha interno.  Nos bastidores da política, em Brasília, surge o nome da advogada trabalhista Thaís Infante, que já é pré-candidata ao Senado por São Paulo.

O iG foi conhecer a história dela, que pode ser a primeira mulher a colocar, oficialmente, o seu nome na disputa pela cadeira mais cobiçada do Palácio do Planalto neste ano.

Thaís nasceu em São Paulo e foi criada no bairro do Ipiranga, Zona Sul da capital paulistana. “O quintal da minha casa sempre foi o Parque da Independência e o Museu do Ipiranga. Alí nasceram diversos sonhos”. Ela é formada em direito e atua, principalmente, na área trabalhista. Atualmente, faz pós-graduação em psicanálise.

Confira a entrevista na íntegra:

iG: A primeira pergunta que começou a circular nos bastidores de Brasília nas últimas semanas foi direta: afinal, quem é Thaís Infante? Em meio às discussões internas do Democracia Cristã, seu nome passou a ganhar força como pré-candidata ao Senado Federal pelo partido. Paralelamente, surgiram rumores de que setores do DC teriam feito sondagens sobre uma eventual composição presidencial envolvendo seu nome. Quem é essa mulher que saiu da vida comum do povo brasileiro para se tornar um dos nomes mais comentados dentro do partido?

Thaís Infante: Eu sou fruto da luta cotidiana do povo brasileiro. Minha história não começou nos corredores do poder. Começou na realidade dura que milhões de famílias vivem diariamente. Venho de uma origem humilde, cresci numa região simples de São Paulo, vendo trabalhadores acordarem ainda de madrugada para enfrentar horas de transporte e voltar para casa exaustos, mas sem perder a dignidade.

Minha família nunca teve privilégios. Tudo na minha vida foi conquistado com muito esforço. Para conseguir me formar em Direito, precisei estudar trabalhando, enfrentar dificuldades financeiras e aprender desde cedo que o conhecimento seria minha única ferramenta real de transformação. Houve momentos em que tudo parecia distante demais, mas eu nunca aceitei desistir.

Talvez justamente por ter vivido essas dificuldades na pele eu tenha escolhido dedicar minha trajetória profissional à defesa daqueles que quase nunca são enxergados pela política tradicional. Trabalhadores terceirizados, vigilantes, porteiros, profissionais da limpeza, recepcionistas, homens e mulheres simples que sustentam empresas, hospitais, escolas e prédios inteiros funcionando diariamente, mas que muitas vezes seguem invisíveis perante o sistema.

Ao longo dos anos, fui construindo minha atuação jurídica ao lado dessas pessoas. Ouvi histórias duríssimas. Pais de família humilhados no ambiente de trabalho, mães desesperadas sem saber como pagariam as contas do mês, trabalhadores adoecidos emocionalmente sem qualquer proteção. Isso me marcou profundamente.

Com muito trabalho, dedicação e anos de construção profissional séria, hoje estou à frente de um escritório consolidado na advocacia trabalhista. Mas nunca perdi minhas raízes e jamais perdi a capacidade de olhar nos olhos das pessoas simples e entender suas dores, porque eu conheço essa realidade.

Foi exatamente dessa trajetória que surgiu o convite do Democracia Cristã para que meu nome fosse colocado como pré-candidata ao Senado Federal. O partido entendeu que o Senado precisa voltar a representar pessoas reais, trabalhadores reais, brasileiros que conhecem a vida fora da bolha política de Brasília.

Naturalmente, diante da repercussão positiva do meu nome dentro do partido e da recepção popular que comecei a receber, surgiram rumores e comentários sobre possíveis sondagens envolvendo meu nome em discussões nacionais maiores. Recebo isso com humildade e serenidade. Mas faço questão de deixar claro que hoje meu nome está colocado como pré-candidata ao Senado Federal pelo Democracia Cristã.

Então a senhora confirma que seu nome está colocado pelo Democracia Cristã como pré-candidata ao Senado?

Thaís Infante: Sim. Recebo isso com muita humildade e responsabilidade. Quando olho para trás e lembro da menina que precisou lutar para estudar, trabalhar e conquistar espaço na vida, entendo o tamanho simbólico desse momento.

A advogada trabalhista Thaís Infante, que já é pré-candidata ao Senado por São PauloReprodução

O que mais me emociona é perceber que muitas pessoas simples passaram a enxergar esperança no meu nome. O vigilante, a profissional da limpeza, o porteiro, a recepcionista, o trabalhador terceirizado muitas vezes nunca se sentiram representados na política brasileira. Talvez porque quase ninguém venha verdadeiramente dessa realidade.

E como surgiram os rumores envolvendo uma eventual composição presidencial?

Thaís Infante: Acredito que isso tenha surgido de forma muito natural pela repercussão que meu nome começou a gerar dentro do partido e também pela busca que existe hoje por novas lideranças, especialmente femininas.

Mas trato isso com muito equilíbrio. Não existe candidatura presidencial posta. O que existem são especulações políticas e comentários naturais do ambiente partidário. Hoje, meu nome está colocado pelo Democracia Cristã como pré-candidata ao Senado Federal.

Por que a senhora acredita que seu nome ganhou força dentro do DC?

Thaís Infante: Porque talvez as pessoas estejam cansadas de figuras produzidas artificialmente pela política tradicional. Meu nome não nasceu de estruturas milionárias nem de acordos de bastidores. Meu nome nasce da vida real.

Eu conheço as dificuldades do povo porque vivi essas dificuldades. Conheço a angústia de quem depende do trabalho para sobreviver, de quem enfrenta insegurança financeira, de quem luta diariamente por dignidade. Acho que isso cria identificação verdadeira.

Qual a importância de uma mulher ocupar espaços de protagonismo político hoje?

Thaís Infante: É muito importante. Mas eu sempre digo que não basta apenas ser mulher. O Brasil precisa de mulheres fortes, preparadas e que conheçam a realidade da população.

Durante muito tempo tentaram convencer as mulheres de que certos espaços não pertenciam a elas. E talvez meu nome represente justamente essa quebra. A demonstração de que uma mulher que veio de baixo, estudou, trabalhou, enfrentou dificuldades e construiu sua própria trajetória pode ocupar espaços importantes sem perder sua essência.

O que mais motiva sua entrada para a vida pública?

Thaís Infante: O abandono social que vejo diariamente. Durante anos ouvi histórias de sofrimento de trabalhadores invisíveis para o sistema. Pessoas honestas, trabalhadoras, mas completamente esquecidas pelas instituições.

A política brasileira ficou distante demais da vida real. Quero ajudar a reconstruir essa ponte. Quero que pessoas simples voltem a sentir que alguém as representa de verdade.

A rejeição à velha política pode favorecer nomes novos como o seu?

Thaís Infante: Acredito que sim. Existe um desgaste muito grande da política tradicional. As pessoas estão cansadas de discursos prontos, candidaturas artificiais e promessas vazias.

Talvez meu nome cresça justamente porque ele carrega uma trajetória real. Eu não precisei construir uma imagem popular. Eu vivi essa realidade.

Quais serão suas principais bandeiras no Senado?

Thaís Infante: A valorização do trabalhador será central. Meu nome estará sempre ao lado daqueles que sustentam o País diariamente e raramente recebem reconhecimento. Quero defender principalmente terceirizados, vigilantes, porteiros, profissionais da limpeza e tantas outras categorias invisibilizadas.

Também defenderei segurança jurídica, fortalecimento institucional, desenvolvimento econômico com responsabilidade social e valorização da soberania nacional.

Quais figuras políticas inspiram sua trajetória?

Thaís Infante: Tenho admiração por homens públicos que enxergavam a política como missão e não como projeto pessoal de poder. Franco Montoro e Mário Covas são referências importantes justamente pela ética, pela sobriedade e pelo compromisso humano que demonstravam.

Acredito que o Brasil precise voltar a discutir política com menos espetáculo e mais responsabilidade com as pessoas reais.

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