O choque de culturas e a guerra no Irã

Tensão no Oriente MédioImagem gerada por IA

A tese do choque de culturas postulada pelo cientista político Samuel Huntington foi amplamente difundida na última década mas mantém a sua atualidade em razão da guerra no Irã. Não devemos nos imaginar diante de um conflito de Civilizações ainda que Trump queira com Israel fazer prevalecer essa visão maniqueísta. Trata-se mais de um enfrentamento relativo ao controle da energia petrolífera e da passagem pelo estreito de Ormuz.

Assim como na Venezuela o objetivo de Washington e o de assegurar o controle do petróleo e de seus derivados pelos Estados Unidos pelo maior tempo possível o que não agrada evidentemente nem a China nem à Rússia. Esse é o verdadeiro problema desta guerra contra o Irã e daí a dificuldade para encontrar uma solução pois é uma guerra mais econômica do que civilizacional no sentido de Huntington.

Um descontentamento difuso do Oriente contra o Ocidente existe também por razões políticas e econômicas como é o caso de Gaza e da Palestina com seus territórios ocupados. O novo rival de Washington simbolizado pelo Irã resiste à lógica bélica consolidada entre as elites militares dos Estados Unidos e tem a seu favor a imprevisibilidade e a convicção de que a própria morte não representa o subjugo ao inimigo mas sim a concretização última do sacrifício no âmbito da teoria do martírio xiita. Esse elemento dificulta o fim da guerra.

O conflito conduzido por Trump ignora esse elemento religioso e desconhece a força do argumentos teológico no conflito. As perspectivas de vitória total por um ou outro país parece difícil e só uma saída negociada diplomaticamente permitiria o fim das hostilidades. O novo ataque desta semana ao Irã pelos Estados Unidos, embora limitado , em nada ajuda o processo diplomático . Ao contrário significa o prolongamento da guerra com todas as consequências já conhecidas pelo fechamento do estreito de Ormuz. Omã parece ter iniciado uma aproximação com o Irã para tentar um controlo binacional dessa passagem estratégica agregando mais um complicador para a solução do impasse.

E por um bom tempo. O desgate político interno de Trump se acentua a cada dia sobretudo com relação às eleições para o Congresso em novembro. Até republicanos já se inquietam com a duração longa desse conflito sem perspectivas de solução a curto prazo. Nada leva a crer que Teerã vai ser mais flexível com o tempo o que torna ainda mais difícil encontrar rapidamente uma saída para o fim da guerra desencadeada por Israel e os Estados Unidos a reboque de Nethanyau.

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