
Uma disputa para decidir o candidato à presidência pelo partido Democracia Cristã (DC) nas eleições de 2026 gerou uma grande crise interna. A ‘briga’ levou à desfiliação do ex-ministro Aldo Rebelo do partido. A decisão foi oficializada pela Justiça Eleitoral nesta última segunda-feira (25).
A crise teve início após a direção do Democracia Cristã indicar o nome de Joaquim Barbosa, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF).
O nome do Barbosa surgiu como uma alternativa a disputar a Presidência da República no lugar do Rebelo, que já havia sido anunciado como pré-candidato em janeiro deste ano.
Nos bastidores, no entanto, dirigentes da legenda passaram a demonstrar insatisfação com o desempenho político de Aldo, considerado abaixo das expectativas nas pesquisas de intenção de voto. Segundo integrantes da sigla, ele teria recebido um prazo para apresentar crescimento eleitoral e maior competitividade no cenário nacional, o que não teria ocorrido.
Reação ao nome de Joaquim Barbosa
A decisão do partido de indicar o ex-ministro do STF gerou uma série de críticas à direção nacional e ao presidente da sigla João Caldas por parte do ex-ministro.
Mesmo diante da posição do partido, Rebelo continuou se colocando publicamente como pré-candidato, disse que se manteria assim até a convenção do DC e classificou a possível candidatura de Joaquim Barbosa como uma afronta.
Em outra ocasião, à jornalistas, Aldo Rebelo disse que o presidente da sigla, João Caldas, estaria preocupado com o avanço do caso do Banco Master em Alagoas, já que seu filho, João Henrique Caldas, conhecido como JHC (PSDB), era prefeito de Maceió.
Além disso, João Henrique é pré-candidato ao governo do estado de Alagoas.
O partido então anunciou a abertura de um processo interno para excluir Aldo Rebelo.
Em nota, o DC afirmou que havia esgotado “tentativas de resolução harmoniosa” e que a postura de “intransigência do recém-filiado“ configurava afronta ao estatuto da legenda (leia a íntegra da nota do DC mais abaixo)
Diante da posição de Aldo Rebelo, na última sexta-feira (22), a direção executiva nacional do Democracia Cristã se reuniu, extraordinariamente, em São Paulo, e deliberou pela expulsão do ex-ministro dos quadros partidários.
No mesmo dia, comunicou oficialmente ao Juízo da Primeira Zona Eleitoral da capital a expulsão de Rebelo.
Nesta segunda-feira (25), o juiz eleitoral Tiago Machado homologou sua desfiliação do DC e, na terça-feira (26), a Justiça Eleitoral registrou oficialmente que Aldo Rebelo não mais integra os quadros de filiados do Democracia Cristã.
Leia na íntegra a nota do Democracia Cristã: “A Direção Nacional da Democracia Cristã vem, por meio desta nota oficial, repudiar veementemente os ataques proferidos pelo recém-filiado Aldo Rebelo contra esta Direção e seu Presidente Nacional.
Nenhuma das atitudes manifestadas na imprensa nacional, nos últimos dias, condiz com os valores democratas-cristãos. Nosso partido trabalha incansavelmente por um Brasil mais solidário, fraterno, justo e desenvolvido.
Diante do esgotamento das diversas tentativas de resolução harmoniosa — frustradas pela reiterada intransigência do recém-filiado — e tendo em vista os gravíssimos fatos e provas apurados, que afrontam os valores, os princípios, os objetivos e o Estatuto do partido, a Direção Nacional do DC delibera pela abertura imediata de procedimento disciplinar contra o referido filiado. Tal medida resultará em sua expulsão sumária, com a devida comunicação de sua desfiliação à Justiça Eleitoral.
A Democracia Cristã estará sempre de braços abertos a todos os brasileiros que sonham e trabalham por um Brasil melhor. Não há espaço, porém, para ameaças, calúnias, difamação, má-fé e arrogância.”
Pedido ilegal de desfiliação
Já Aldo Rebelo se posicionou sobre a decisão do DC, alegando que “Não houve decisão judicial sobre expulsão, mas homologação de um pedido irregular e ilegal de desfiliação”.
Ainda segundo o ex-ministro, a filiação ou desfiliação é um ato do indivíduo que se filia ou desfilia de um partido por iniciativa própria. Por isso, “o processo de expulsão exige um procedimento que sequer foi iniciado. Todos os atos da direção do DC neste sentido estão eivados de ilegalidades e, portanto, judicializados”.
