
O Canadá é um dos melhores países do mundo para observar esse fenômeno de luzes dançantes no céu. Foto:
Crédito: Global Tourisme
Nada prepara o viajante para o que acontece quando o céu canadense se acende de verde, rosa e violeta no meio da madrugada. A aurora boreal — esse espetáculo de luz que dança nas altas latitudes do hemisfério norte — é capaz de hipnotizar. E o Canadá, por sua posição geográfica privilegiada, é um dos melhores países do mundo para observá-la.
O que é a aurora boreal
O nome vem da mitologia: Aurora era a deusa romana do amanhecer; Bóreas, o deus grego do vento do norte. Ela acontece por causa do encontro entre partículas vindas do Sol e os gases presentes na atmosfera da Terra. Cada gás gera uma cor diferente: oxigênio (verde e vermelho); nitrogênio (azul e roxo).
Não existe realmente um único “melhor momento” para ver as auroras boreais no Canadá. A temporada vai do final de agosto ao início de abril e o nível de incidência, assim como a experiência para avistar as luzes, mudam dependendo da região. Quanto ao horário, o ponto ideal geralmente é entre 22h e 3h.
Whitehorse – Yukon
Whitehorse é a capital do Yukon, um dos três territórios do Canadá. Localizado no noroeste extremo do país, o Yukon ocupa uma posição privilegiada sob o chamado Oval Auroral, a faixa de maior atividade auroral que circunda os pólos magnéticos da Terra.
Com pouca poluição luminosa, é possível ver as auroras praticamente a partir das acomodações na periferia da cidade, sem necessidade de percorrer grandes distâncias.
Melhor época
A aurora boreal é visível em Whitehorse entre final de agosto e início de abril. A temporada de outono, entre agosto e outubro, combina noites escuras com temperaturas mais amenas. O inverno, de novembro a março, oferece as noites mais longas e escuras, com exibições que podem começar já às 21h. Janeiro e fevereiro são populares por isso, embora as temperaturas possam cair a -40°C, exigindo roupa adequada, que pode ser alugada in loco.
Durante o dia e em todas as estações, Whitehorse tem uma série de atividades. No inverno as mais procuradas são o snowmobiling (trilhas com motos para neve), snowshoeing (caminhadas com raquetes especiais para a neve), Ice Fishing (pesca no gelo) e dog sledding (trenó puxado por cachorros).
Nos meses sem neve, os lagos, os voos de helicóptero e as trilhas pelo Parque Nacional de Kluane são a preferência dos visitantes, assim como explorar a cidade e seus arredores.
Há também spa nórdico e a visita à Yukon Wildlife Preserve, uma reserva com Bisões, alces, wolverines, raposas do ártico e outros animais.
Em Whitehorse, no Yukon, a aurora boreal é vista entre o final de agosto e o início de abril. Foto:
Crédito: Global Tourisme
Yellowknife — Territórios do Noroeste
Yellowknife é a capital dos Territórios do Noroeste, outro dos três territórios canadenses. A cidade fica a cerca de 400 quilômetros ao sul do Círculo Polar Ártico e é amplamente reconhecida como a capital mundial da aurora boreal.
A razão é geográfica: Yellowknife está posicionada diretamente sob o centro do Oval Auroral, onde a atividade geomagnética é mais intensa. Combinada com a baixíssima umidade do ar e quase nenhuma poluição luminosa nas cercanias, a cidade oferece condições quase ideais para a observação do fenômeno.
Melhor época
Os Territórios do Noroeste registram até 240 noites de aurora por ano, concentradas em duas temporadas: outono (agosto a outubro) e inverno (novembro a abril). Setembro é considerado o mês ideal: a probabilidade de ver a aurora é alta, as temperaturas são ainda amenas para ficar ao ar livre, e é possível fotografar as luzes refletidas nos lagos que ainda não congelaram. Março também é muito apreciado, com noites longas e a aurora dançando sobre a paisagem nevada.
A cidade de Yellowknife oferece condições quase ideais para a observação da aurora boreal. Foto:
Crédito: James MacKenzie/Northwest Territories Tourism
Churchill — Manitoba
Churchill fica no norte de Manitoba, uma das dez províncias canadenses, o hub para conexão com Churchill é Winnipeg, seja por ar ou pelos trilhos. Sua localização a coloca no subártico canadense, diretamente sob o Oval Auroral.
Churchill registra mais de 300 noites de aurora por ano. Os meses de inverno (janeiro, fevereiro e março) oferecem a melhor experiência, embora seja grande a chance de ver as auroras boreais na maior parte do ano.
No inverno o frio intenso, que pode chegar a -40°C, mantém a atmosfera seca, favorecendo a visibilidade. A temporada de outono (setembro a novembro) também permite ver as luzes.
Porém não é só a dança luminosa que atrai os visitantes, aqui é também a única cidade do mundo que tem mais ursos polares que gente. Prova disso é a cadeia construída especialmente para eles, onde ficam presos por um período caso tentem conviver com os humanos no ambiente urbano. Após essa traumática experiência eles voltam a ser soltos na tundra. Churchill é rota migratória dos ursos, que podem ser avistados em seu ambiente natural, a tundra do ártico, principalmente em outubro e novembro.
Já em julho e agosto é possível fazer caiaque ao lado de Baleias Beluga, que também tem a rota migratória na Baía de Hudson, onde fica Churchill.
A aurora boreal possui cores diferentes que dependem do tipo de gás presente na atmosfera terrestre. Foto:
Crédito: Global Tourisme
Jasper — Alberta
Jasper fica em Alberta, uma das províncias do oeste canadense. A cidade está mais ao sul do Oval Auroral, mas tem algo único: é a maior Reserva de Céu Escuro do mundo e reconhecida internacionalmente.
O fenômeno da aurora boreal aparece com relativa frequência durante o outono e inverno. Os meses mais indicados são de outubro a março, principalmente entre novembro e fevereiro. Nesse período as noites são mais longas, o céu fica mais escuro e há mais horas contínuas de observação.
O horário mais favorável é entre 23h e 1h, o chamado “midnight magnético” local.
Em Jasper as Montanhas Rochosas oferecem um cenário espetacular para a aurora, refletida nos lagos. Foto:
Crédito: Tourisme Jasper
Reserva de Céu Escuro
Em 2011 o Parque Nacional Jasper foi oficialmente designado uma Dark Sky Preserve. Com mais de 11 mil quilômetros quadrados de extensão, é a segunda maior Reserva de Céu Escuro acessível do planeta.
Na prática isso significa que a iluminação artificial é rigorosamente controlada e minimizada dentro dos limites do parque.
O resultado é um céu noturno em que 97% da área do parque está livre de poluição luminosa e onde o visitante pode enxergar a Via Láctea, galáxias, constelações, planetas e chuvas de meteoros a olho nu, como se estivesse dentro de um planetário a céu aberto.
E a aurora boreal é comumente vista em dias de céu limpo e incidência.
Em Jasper, a Reserva de Céu Escuro protege a escuridão natural do céu noturno. Foto:
Crédito: Tourisme Jasper
Céu de planetário
A expressão “céu de planetário” é usada para descrever um céu noturno tão escuro, límpido e repleto de estrelas que se assemelha à cúpula de um planetário. Diferentemente do que acontece em zonas urbanas, onde a poluição luminosa apaga a Via Láctea e esconde as estrelas mais fracas, esses céus preservados permitem enxergar galáxias, nebulosas e auroras em todo o seu esplendor.
Existe um sistema formal de reconhecimento de locais com baixa poluição luminosa, as chamadas Dark Sky Preserves (Reservas de Céu Escuro), reconhecidas pela Royal Astronomical Society of Canada. O Canadá abriga 17 dessas reservas, mais do que qualquer outro país.
No céu de planetário é possível enxergar galáxias, nebulosas, auroras e chuvas de meteoros. Foto:
Crédito: Tourisme Jasper
Dicas gerais para ver as auroras
Independentemente do destino escolhido, algumas regras se aplicam a todos. A janela mágica de observação vai das 22h às 3h, especialmente entre 23h e 1h, quando a atividade é mais intensa.
Noites de lua nova, com céu mais escuro, aumentam as chances de ver exibições espetaculares.
Afastar-se das luzes de cidades e usar aplicativos de previsão auroral — como o Space Weather da NOAA ou o Aurora Watch da Universidade de Alberta — ajuda a saber quando há maior probabilidade de incidência.
E paciência é, sempre, a habilidade mais importante do caçador de auroras, assim como mente aberta porque outras experiências tão interessantes quanto ver as luzes podem estar aqui mesmo, na Terra, nestes lugares onde elas mais se manifestam.
Serviço
Confira os roteiros:
Abreutur
CT Operadora
Lusanova Tours Brasil
