
Católicos de Castelo ensinam técnicas da tradição dos tapetes de Corpus Christi
Antes mesmo de começar a tradicional festa de Corpus Christi em Castelo, no Sul do Espírito Santo, uma das maiores do país, moradores voluntários trabalham nos preparativos para dar vida aos famosos tapetes coloridos que tomam conta das ruas da cidade.
Para manter a tradição religiosa que já dura mais de 60 anos, moradores ensinam novos artistas a produzir os quadros e passadeiras que são confeccionados na cidade. São mais de cinco mil metros quadrados de arte e fé que atraem e encantam turistas.
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Hoje, quem sabe das técnicas também aprendeu com os “antigos”, com eles mesmos falam. E com o passar dos anos, ficaram encarregados de ministrar oficinas para os mais novos e, assim, manter o projeto por mais anos e para os mais novos que chegam.
Nas aulas, os participantes aprendem técnicas de montagem, fabricação de pigmentos, aplicação das cores e criação dos desenhos.
Mais do que preparar os tapetes de todos os anos, a iniciativa busca manter viva uma tradição que atravessa gerações e se tornou símbolo da identidade cultural de Castelo.
“Nós estamos passando, estamos ficando velhos, eu já sou uma segunda geração do Corpus Christi. Aqui a gente tem a ideia de criar uma terceira, quarta geração, para que ele não morra nunca, porque se tirar o Corpus Christi de Castelo você está tirando a identidade de Castelo”, afirmou Luciano Travaglia, presidente do Instituto Cultural Irmã Vicenza (ICIV).
Oficina forma novos voluntários para confecção dos tradicionais tapetes de Corpus Christi em Castelo, no Espírito Santo
Reprodução/ TV Gazeta
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Para criar as imagens que vão ocupar as ruas da cidade durante a celebração, os voluntários utilizam materiais como pó de mármore tingido. Quem participa pela primeira vez acompanha todas as etapas da produção.
O universitário Vitor Zardo contou que sempre teve curiosidade para entender como os tapetes eram feitos.
“Desde pequeno a gente vê as pessoas fazendo a arte, fazendo os quadros daqui, mas infelizmente a gente, às vezes, não sabe como é feito. Aqui, a gente acompanha o processo inteiro da fabricação dos pigmentos até o uso deles nos quadros, como acertar a tonalidade, fazer os contornos e marcar os desenhos”, disse.
Trabalho munucioso
Quem participa da celebração há mais tempo também ajuda a ensinar os novos voluntários. Regina Ambrosim, que atua há mais de 40 anos na festa, explicou que o trabalho exige atenção aos detalhes.
“A gente tenta passar essa ideia de como fazer o sombreado, como fazer profundidade na imagem para ficar o mais real possível”, destacou.
Oficina forma novos voluntários para confecção dos tradicionais tapetes de Corpus Christi em Castelo, no Espírito Santo
Reprodução/ TV Gazeta
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O artesão Thainan Vettorazzi afirmou que a principal dificuldade dos participantes é controlar a ansiedade durante a produção.
“Essa é a maior dificuldade, de fazer o desenho logo e ter a paciência de cuidar de cada detalhe, sem perder o trabalho”, explicou.
A tradição também já mobiliza os mais jovens. Aos 17 anos, Gabriela Marcolan participa da oficina ensinando outros colegas.
“Tá sendo uma experiência nova. Como é um evento cultural da cidade, eu acho muito importante manter a cultura viva para as futuras gerações”, contou.
Oficina forma novos voluntários para confecção dos tradicionais tapetes de Corpus Christi em Castelo
Reprodução/ TV Gazeta
Festa atrai visitantes de vários estados
As estruturas dos quadros são montadas em um galpão da cidade e servem como base para orientar os desenhos e ajudar na montagem dos tapetes. A tradição começou em 1963 e, desde então, reúne fé, arte e comunidade.
Neste ano, a festa terá 17 quadros e 17 passadeiras, que vão retratar desde a criação até o sacrifício de Jesus. A celebração atrai visitantes de várias partes do Espírito Santo e de outros estados.
Mesmo com o trabalho intenso, os voluntários dizem que a dedicação tem um significado maior. “É um detalhe que a gente faz e se oferece para o Senhor”, afirmou Clarine Zandonade.
O primeiro tapete de Corpus Christi da cidade foi feito por Zuleide Pereira da Silva, a Irmã Vicenza, em frente à Capela de Nossa Senhora das Graças, da Santa Casa de Castelo.
Segundo os registros, ela trouxe a ideia de uma visita religiosa que fez ao interior do Rio de Janeiro, no ano anterior.
Tradição dos tapetes de Corpus Christi em Castelo, no Espírito Santo, começou em 1963 e hoje fiéis percorrem 1,5 km de tapete por ruas e avenidas da cidade
Reprodução/ TV Gazeta
Católicos de Castelo ensinam técnicas da tradição dos tapetes de Corpus Christi
Reprodução/TV Gazeta
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