
A cura do pé torto da pequena Aila Maria é símbolo de uma vitória que levou quatro anos para se concretizar. Ela faz parte de um grupo de mais de 100 crianças atendidas pelo ortopedista Roberto Dourado, referência no método Ponseti na rede pública do Amapá.
Aila nasceu com Pé Torto Congênito (PTC), uma das deficiências mais comuns entre crianças no Brasil. A condição faz com que os pés fiquem virados e exige início imediato do tratamento para evitar sequelas permanentes.
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A doméstica Maria de Nazaré Gomes, avó e mãe de criação da menina, lembra que assumiu os cuidados quando Aila tinha seis meses. Sem condições financeiras, não via solução para a doença.
Foi por meio de uma amiga que conheceu o doutor Dourado. Inicialmente, buscava apenas um laudo médico para tentar um benefício social. Mas, durante a consulta, descobriu que a cura era possível dentro da rede pública.
“Foi Deus que me enviou. Quando cheguei lá, ele disse: ‘vou lhe dar o laudo, mas a senhora tem que continuar o tratamento da Aila’. Eu respondi que não tinha condições, pois era muito caro. Então ele disse: ‘nós estamos fazendo de graça’. Eu aceitei na hora, porque sempre quis que ela usasse sapato”, relembra a doméstica.
Aila Maria e Maria de Nazaré Gomes
Rede Amazônica
Antes do tratamento, Aila usava uma espécie de meia-sapato. Como os pés eram virados, o atrito era intenso e o material se desgastava rapidamente.
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Cuidado que inspira
Para Dourado, tratar o pé torto é devolver dignidade aos pacientes. Ele defende que o processo seja multidisciplinar e acessível.
“O paciente muitas vezes não tem condições financeiras de comprar uma receita ou não entende o processo. Por isso, temos que abraçar esse paciente. Ele é o nosso próximo, e devemos fazer por ele o que gostaríamos que fizessem conosco”, explica.
O método Ponseti consiste na modelagem do pé com próteses de gesso, trocadas até seis vezes. O tratamento é concluído com uma pequena cirurgia e o uso de órteses de dupla abdução: nos primeiros três meses de forma contínua e, depois, apenas à noite até os quatro anos.
Crianças com pé torto podem iniciar o tratamento já nos primeiros 15 dias de vida.
Pé Torto Congênito (PTC), uma das deficiências mais comuns entre crianças
Rede Amazônica
Reconhecimento internacional
Dourado lembra que o caminho até consolidar o atendimento no Amapá não foi fácil. As barreiras estruturais da rede pública foram grandes desafios.
Hoje, referência no método Ponseti, o médico se prepara para apresentar o trabalho desenvolvido no estado na Universidade de Iowa, nos Estados Unidos, berço dos estudos da área.
“Vamos representar o Amapá. Não vamos lá chorar as dificuldades. Apesar de todos os obstáculos, conquistamos a vitória de tratar nossas crianças”, afirma.
Ortopedista Roberto Dourado, referência no método Ponseti
Rede Amazônica
Atualmente, os atendimentos são realizados em um ambulatório do Hospital da Criança e do Adolescente (HCA), inaugurado recentemente.
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