
Em abril deste ano a cidade de São Paulo zerou os casos de feminicídio, resultado que não era alcançado há mais de três anos.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública do Estado, em abril do ano passado, a cidade havia registrado seis mortes de mulheres. Entre janeiro e abril deste ano, ocorreram 17 feminicídios, contra 23 no mesmo período de 2025. Ao longo do ano passado, os números também apresentaram queda.
Segundo a delegada Cristiane Braga, coordenadora das Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) do Estado:
Feminicídios no estado
No estado de São Paulo, abril manteve o mesmo número de feminicídios registrados no ano anterior, com 20 ocorrências. Nos quatro primeiros meses do ano, os casos aumentaram de 81 para 106. O crescimento foi impulsionado principalmente pelo interior paulista, que registrou 76 mortes entre janeiro e abril deste ano, ante 44 no mesmo período de 2025.
Já na região metropolitana de São Paulo, os casos caíram de 14 para 13 no acumulado do primeiro quadrimestre. Em abril, foram registrados três feminicídios.
Prisão dos agressores
Várias ações policiais, realizadas em parceria com outros órgãos, têm priorizado o cumprimento de mandados de prisão contra agressores de mulheres. Em fevereiro, uma operação conjunta da Secretaria da Segurança Pública e da Secretaria de Políticas para a Mulher prendeu 430 suspeitos às vésperas do Carnaval em todo o estado.
Já em maio, a Operação Héstia cumpriu mandados de prisão, busca e apreensão contra foragidos investigados por violência contra a mulher. A ação resultou na prisão de 20 procurados em diferentes regiões da capital paulista.
O coronel Glauce Anselmo Cavalli, comandante-geral da Polícia Militar destacou:
Rede de acolhimento e proteção às vítimas
São Paulo foi o primeiro estado do país a criar uma Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). Atualmente, o estado conta com 144 unidades especializadas, além da DDM Online e das Salas DDMs Online, ampliando o acesso das vítimas ao atendimento policial especializado, acolhimento e solicitação de medidas protetivas.
Outro equipamento fundamental é a Cabine Lilás. Implantada inicialmente na capital paulista em 2024 e expandida para todo o estado, a iniciativa direciona chamadas de violência doméstica feitas ao 190 para policiais femininas capacitadas para orientar e acolher as vítimas, além de acionar viaturas e apresentar os serviços disponíveis.
Também em 2024, foi lançado o aplicativo SP Mulher Segura, que reúne serviços de proteção às mulheres em um único ambiente digital. A plataforma permite o registro de ocorrências, o acionamento emergencial da Polícia Militar e o acesso facilitado aos canais de apoio e atendimento.
O monitoramento de agressores com tornozeleira eletrônica é outra ação que está sendo reforçada.
Criada em maio deste ano, a Patrulha SP Mulher Segura é uma força especializada da Polícia Militar que atua de forma preventiva em casos de violência doméstica, especialmente em ocorrências relacionadas à Cabine Lilás e aos acionamentos do botão do pânico do aplicativo SP Mulher Segura.
Também lançado neste ano, o programa Espaço Lilás prevê a instalação de estruturas especializadas dentro de batalhões, companhias e unidades da PM para fortalecer o acolhimento e o atendimento de mulheres em situação de violência doméstica e familiar.
Todas essas iniciativas representam formas de romper o ciclo da violência e ampliar a proteção às mulheres.
