Município avaliado com pior qualidade de vida do Brasil fica completamente isolado por chuvas


Município avaliado com pior qualidade de vida do Brasil fica completamente isolado
O município mais indígena do Brasil, Uiramutã, ao Norte de Roraima, ficou completamente isolado. A ponte sobre o rio Cambaru, principal via de acesso à sede do município, foi levada pela força da correnteza na manhã deste sábado (30) e agravou a crise provocada pelas enchentes na região. Veja no vídeo acima.
Com o rompimento da ponte, cerca de 15,5 mil habitantes — o equivalente a toda a população do município — ficaram ilhados. Na quinta-feira (28), a prefeitura já havia decretado estado de emergência devido ao transbordamento de pelo menos três rios e um igarapé, que deixaram mais da metade da população sem acesso terrestre.
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Em nota, a prefeitura de Uiramutã informou que ativou o gabinete de crise estadual. O Corpo de Bombeiros de Roraima, a Defesa Civil Municipal e equipes das secretarias de Obras e Saúde já se deslocam para o trecho rompido para avaliação técnica e atendimento à população, segundo o município.
Além das forças locais, a prefeitura acionou o Exército Brasileiro. Uma equipe da 1ª Brigada de Infantaria de Selva vai avaliar a viabilidade de instalação de uma ponte provisória (de transposição móvel) e o restabelecimento urgente do acesso. Ainda não há uma previsão para o reparo.
Nesta sexta-feira (29), o governo de Roraima reconheceu, por meio de decreto, a situação de emergência no município. A medida garante maior agilidade nas ações de resposta e assistência humanitária, autorizando a mobilização de todos os órgãos do Estado para o monitoramento, restabelecimento de serviços e recuperação das áreas danificadas.
O município mais indígena do Brasil, Uiramutã, ao Norte de Roraima, teve pelo menos três rios e um igarapé transbordados, o que isolou mais da metade da população. A prefeitura do município decretou estado de emergência nesta quinta-feira (28).
Para auxiliar as famílias isoladas, a Secretaria Municipal de Assistência Social iniciou a arrecadação de alimentos não perecíveis, roupas e materiais de higiene. Simultaneamente, a Secretaria de Obras trabalha na tentativa de abrir rotas alternativas.
A prefeitura ressalta que Uiramutã é caracterizada por relevo acidentado, com serras e planaltos, cortada por diversos rios e igarapés, com destaque para o Rio Maú, Rio Wailã e afluentes do Rio Cotingo, que se tornam críticos durante o período chuvoso.
Ponte sobre rio Cambaru, principal rota de acesso à sede do Uiramutã (RR) foi levada pela água.
Reprodução
Comunidades sem água potável e roças destruídas
Pessoas isoladas em comunidade indígena no Uiramutã, em Roraima
Divulgação
O cenário já era crítico ao longo da semana. Segundo a prefeitura, as fortes chuvas que atingem todo o estado têm causado falta de água potável, perda de produtos agrícolas e restrição no acesso a serviços de saúde, educação e transporte.
Com a cheia dos rios, a água ficou barrenta e imprópria para consumo nas comunidades indígenas. Por isso, a Defesa Civil mantém uma força-tarefa de distribuição de água potável em regiões como Erenmutanken, Kumapaí, Nova Esperança e Caxirimã. Nenhuma dessas comunidades tem poços artesianos ou abastecimento de água encanada e dependem diretamente dos rios.
Os maiores impactos são nas comunidades que ficam nos arredores da sede do município. Registros mostram a cidade alagada, com roças destruídas e casas submersas. A Secretaria Municipal de Obras havia estimado, inicialmente, um prejuízo de R$ 200 mil devido à destruição de estradas e pontes.
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