Lutador que espancou adolescente até desmaiar já deu socos na boca de outros dois jovens, diz mãe: ‘Ele precisa ser parado’


Lutador já deu socos na boca de outros dois jovens
O lutador Rafael Gomes Pereira, de 43 anos, preso após espancar um adolescente de 17 anos até ele desmaiar em Goiânia, já havia se envolvido em outro episódio de agressão contra dois adolescentes, segundo Risia Guimarães, mãe dos jovens. Em um vídeo publicado nas redes sociais, ela relatou que as agressões ocorreram há cerca de três anos em um shopping no Setor Bueno. À época, os irmãos tinham 14 e 17 anos (veja o vídeo acima).
Adolescente espancado por lutador até desmaiar foi enforcado por cerca de 1 minuto e teve convulsão, diz família
No relato, Risia afirmou que Rafael costuma justificar as agressões alegando que está protegendo os filhos.
“Esse foi quem socou a boca dos meus filhos menores de idade. Ele sempre justifica que está protegendo os filhos contra bullying. Não existe isso. Ele é doente, precisa ser parado. Ele é louco. Daqui a pouco ele vai matar alguém?”, disse a analista na publicação.
O g1 não conseguiu localizar a defesa de Rafael até a última atualização desta reportagem.
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As agressões contra o adolescente ocorreram na noite de sexta-feira (29), na Praça das Artes, no Jardim Goiás, em Goiânia, após uma briga entre a vítima e um dos filhos do lutador durante uma partida de futebol. Segundo a família, o jovem foi enforcado por cerca de um minuto até perder a consciência e ter uma convulsão.
Mesmo após o adolescente desmaiar, Rafael ainda deu um chute nas costas dele antes de deixar o local. A vítima foi socorrida pela própria família com ferimentos pelo corpo, na cabeça e sangramento.
Mãe comenta agressão dos filhos em shopping no Bueno.
Reprodução/Instagram de Rafael Gomes e Risia Guimarães
Lutador foi preso após as agressões
Segundo a família, a Polícia Militar foi acionada logo após as agressões. Rafael fugiu da Praça das Artes antes da chegada das equipes, mas foi localizado e preso em flagrante por policiais militares algumas horas depois.
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De acordo com a Polícia Civil, Rafael foi conduzido à Central Geral de Flagrantes de Goiânia, onde foi autuado em flagrante pelos crimes de corrupção de menor de 18 anos para a prática de infração penal, prevista no artigo 244-B do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), e lesão corporal dolosa, prevista no artigo 129 do Código Penal.
Após audiência de custódia, no sábado (30), Rafael recebeu liberdade provisória sem pagamento de fiança, mediante o cumprimento de medidas cautelares. Conforme a decisão judicial à qual o g1 teve acesso por meio da família da vítima, o lutador deverá usar tornozeleira eletrônica e está proibido de se aproximar das vítimas, mantendo distância mínima de 300 metros.
Família relata agressão semelhante ocorrida no ano passado
De acordo com a servidora pública Vivian Pereira Cunha, de 44 anos, mãe do adolescente, os filhos haviam deixado de frequentar a praça desde janeiro deste ano após uma confusão envolvendo um sobrinho de 20 anos. De acordo com ela, o jovem teria sido agredido por um dos filhos do suspeito durante uma briga ocorrida em dezembro do ano passado.
A mulher afirmou que a situação começou de forma semelhante ao caso mais recente, envolvendo os filhos adolescentes do suspeito, que também praticam artes marciais. Durante as agressões, o sobrinho dela teve o nariz quebrado.
“Nós registramos um boletim de ocorrência e passamos a aguardar uma resposta da Justiça. Até hoje não tivemos nenhum retorno sobre o caso. Por causa desse episódio, meus filhos deixaram de frequentar a praça e ficaram sem ir ao local de janeiro até agora”, afirmou.
Rafael Gomes Pereira segurou o adolescente com um golpe por cerca de 1 minuto
Reprodução/Instagram de Rafael Gomes e Arquivo Pessoal/Vivian Pereira
Mãe correu para a praça após receber aviso de outro filho
De acordo com a servidora pública, os pais de outros adolescentes que também estavam na praça escutaram os gritos e desceram para socorrer. Ela foi avisada pelo filho mais novo sobre o que tinha acontecido com Rafael. Segundo Vivian, quando encontrou o filho, ele estava confuso e sangrando.
“Foi quando eu corri para a praça. Quando cheguei, encontrei meu filho naquele estado, todo ensanguentado, tonto. Não é que ele estivesse totalmente sem consciência naquele momento, mas ele estava sem domínio do raciocínio. Como ficou desacordado, demorou para voltar ao normal”, disse.
Em entrevista ao g1, Vivian contou ainda que outros adolescentes tentaram ajudar o filho, mas teriam sido impedidos pelos filhos do suspeito. Ela acompanhava o adolescente em uma unidade de saúde no momento da entrevista.
“Ele deu socos, golpeou meu filho e o enforcou até ele perder a consciência. E mesmo depois de ele perder a consciência, continuou enforcando. Os outros adolescentes que estavam na quadra tentaram ajudar meu filho. Dá para ver no canto do vídeo que um dos filhos dele dá um golpe e depois enforca um dos adolescentes. Eles não deixavam ninguém ajudar”, afirmou.
Segundo Vivian, moradores de prédios próximos ouviram os gritos e desceram para socorrer os jovens. Ela disse que o suspeito só interrompeu as agressões quando percebeu a chegada dos adultos, momento em que o adolescente já estava desacordado.
“Os que ficaram de fora começaram a gritar e os pais ouviram dos prédios em frente. Eles desceram correndo. Inclusive, um desses pais se colocou à disposição para testemunhar porque o filho dele também foi ameaçado. Os meninos falaram que demorou bastante para ele reagir. Eu tenho vídeos dele no chão, puxando o ar, tentando voltar”, contou.
A mãe informou ainda que o filho passa por exames na manhã deste sábado (30) para avaliar possíveis lesões na cabeça e em outras partes do corpo.
Família aponta histórico de conflitos na praça
De acordo com Vivian, o suspeito pratica artes marciais e treina os dois filhos adolescentes. Um deles teria iniciado a discussão que motivou a agressão contra o filho dela. Segundo a mãe, os jovens costumam frequentar a praça e já teriam se envolvido em outras situações de conflito com adolescentes que frequentam o local.
“Até onde eu entendi, ele utiliza a situação de estar ali em contato com adolescentes e crianças para causar alguma briga por qualquer motivo fútil, estimular a violência. É aí que ele coloca os filhos dele e ele próprio para agir”, relatou.
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