Carros não entram, charretes circulam e montanhas de sal parecem neve: a vila de pescadores presa numa língua de areia no Rio Grande do Norte

Carros não entram, charretes circulam e montanhas de sal parecem neve: a vila de pescadores presa numa língua de areia no Rio Grande do Norte

Do barco que cruza o braço de mar, montanhas brancas aparecem no horizonte antes da areia. Parecem neve, mas são sal. Essa é Galinhos, uma vila de pescadores numa estreita península do litoral norte do Rio Grande do Norte, onde charretes substituem carros e o relógio é a maré. A 160 km de Natal, o lugar resiste ao tempo num cenário de dunas, salinas e manguezais.

Uma língua de areia entre o oceano e o rio

A geografia explica o isolamento. Galinhos ocupa uma península estreita, que em alguns trechos tem menos de 500 metros de largura, entre o Oceano Atlântico e o braço de mar do Rio Aratuá, que os moradores chamam de “rio”.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município tem 2.104 habitantes, área de cerca de 341 km² e densidade de apenas 6,17 moradores por quilômetro quadrado. Carros comuns não chegam ao centro: é preciso deixar o veículo no Porto de Pratagil e cruzar o braço de mar de barco.

Galinhos, Rio Grande do Norte // Créditos: Wikimedia Commons

O nome que veio de um peixe miúdo

A origem do nome está na pesca. Os pescadores que chegaram à península encontravam peixes-galo de tamanho menor que o habitual, que apelidaram de “galinhos”, segundo o histórico do IBGE. O apelido grudou no povoado.

A pesca de peixes-galo e voadores e as salinas naturais sustentaram as primeiras famílias. O povoado se emancipou de São Bento do Norte pela lei estadual de 26 de março de 1963, com instalação oficial em abril daquele ano.

Galinhos, Rio Grande do Norte // Créditos: Wikimedia Commons

Montanhas de sal que parecem neve

As pirâmides brancas que pontilham a paisagem são de sal marinho. O Rio Grande do Norte responde por cerca de 95% de toda a produção de sal marinho do país, e a planície de Galinhos-Guamaré é uma das áreas mais importantes, segundo estudo publicado na revista científica Mercator.

O processo é simples e antigo. A água do mar entra em tanques rasos, evapora sob o sol forte e deixa para trás cristais que se acumulam em montes de vários metros. A água dessas salinas tem densidade tão alta que o corpo boia sem esforço.

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O que fazer na península de Galinhos?

Os passeios seguem o ritmo da maré e combinam barco, areia e vento. Entre os programas mais procurados, destacam-se:

  • Passeio de barco pelo manguezal: navegação pelas gamboas, com observação de aves, caranguejos e cavalos-marinhos.
  • Farol de Galinhos: erguido em 1931 na ponta da península, funciona como mirante para o encontro do rio com o mar.
  • Dunas de areia: morros móveis de areia clara, ótimos para o pôr do sol sobre a península.
  • Visita às salinas: as montanhas de sal vistas de perto, parte da paisagem e da economia local.
  • Kitesurf e windsurf: os ventos fortes do segundo semestre atraem praticantes de várias partes do mundo.

Quem deseja planejar a viagem perfeita para uma península belíssima e ainda pouco conhecida no Brasil, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Rolê Família, que conta com mais de 469 mil visualizações. No conteúdo, o canal Rolê Família mostra um roteiro completo com passeios de barco, dunas, praias e dicas imperdíveis do que fazer em Galinhos, Rio Grande do Norte.

Conheça a vila onde o tempo anda no ritmo da maré

Galinhos reúne dunas, salinas e o cotidiano simples de uma vila de pescadores que o isolamento ajudou a preservar. Poucos lugares no Brasil entregam tanto sossego e uma paisagem tão diferente em uma só viagem.

Vale deixar o carro em Pratagil, cruzar o braço de mar de barco e sentir o tempo desacelerar nessa língua de areia potiguar.

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