
Canais se tornaram símbolos urbanos de Santos (à dir.) e Amsterdã (à esq.)
Alexsander Ferraz/A Tribuna Jornal e Reprodução/TV Globo
Separadas por quase 10 mil quilômetros de distância, as cidades de Santos, no litoral de São Paulo, e Amsterdã, capital da Holanda, têm uma característica em comum: os canais. Criados em contextos diferentes, os sistemas se tornaram símbolos urbanos dos dois municípios.
“Os canais de Amsterdã e os de Santos têm origens e escalas distintas, mas cada conjunto, à sua maneira, tornou-se parte inseparável da história, da paisagem e da forma como seus moradores entendem e vivem suas cidades”, afirma o historiador Sergio Willians.
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Ao g1, o profissional, que é presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Santos (IHGS), citou as principais semelhanças e diferenças a partir dos seguintes pontos:
Origem e função;
Estrutura
Profundidade
Navegação
Impacto urbano
Identidade
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Origem e função
De acordo com o historiador, os canais de Amsterdã e os de Santos surgiram em contextos completamente distintos.
Os canais de Amsterdã foram construídos no século XVII, durante a Era de Ouro holandesa, com uma função múltipla que combinava defesa, drenagem e transporte.
Em Santos, o sistema de canais foi implantado com objetivo de resolver os problemas de alagamentos e saúde pública. Os canais começaram a nascer no início do século XX, a partir do projeto sanitarista de Francisco Saturnino Rodrigues de Britto, conhecido apenas como Saturnino de Brito e considerado o patrono da engenharia sanitária no Brasil.
Sistema de canais de Santos foi implantado com objetivo de resolver os problemas de alagamentos e saúde pública
Divulgação/Prefeitura de Santos
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Estrutura
Em Amsterdã, os canais formam o famoso cinturão Grachtengordel, um traçado semicircular planejado, tombado como Patrimônio Mundial da UNESCO e pontuado por centenas de edifícios monumentais. Ao todo, são mais de 100 km de canais, cruzados por cerca de 1,5 mil pontes, que compõe uma paisagem homogênea e historicamente preservada.
Santos conta com apenas sete canais, que são lineares, numerados e funcionam como eixos de drenagem que cortam os bairros perpendiculares à orla. Eles definiriam a forma como os moradores se orientam na cidade.
Canais de Santos e Amsterdã têm semelhanças e diferenças
Alexsander Ferraz/A Tribuna Jornal e Reprodução/TV Globo
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Profundidade
Os canais de Amsterdã são relativamente rasos. Em média, a profundidade varia entre 2 e 5 metros. Segundo o historiador, os canais históricos do centro contam com 2,5 metros de profundidade, mas há pequenas variações conforme o trecho e a manutenção.
Em Santos, os canais são mais rasos, com profundidade que varia entre 1 e 3 metros, conforme o trecho, o assoreamento e a manutenção.
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Em Amsterdã, há navegação nos canais. Enquanto em Santos, o sistema é mais raso.
Reprodução/TV Globo e Vanessa Rodrigues/Arquivo A Tribuna Jornal
Navegação
Em Amsterdã, os canais urbanos são pensados para navegação leve e controle das águas, e não para grandes embarcações. Com isso, o sistema se tornou parte do turismo da cidade, pois atrai visitantes entusiastas de passeios de barco.
Os canais urbanos de Santos não foram pensados para navegação, mas para drenagem e saneamento. No entanto, a cidade conta com o canal de navegação do Porto de Santos, que é outra estrutura e tem cerca de 15 metros de profundidade, mantidos por dragagem contínua para permitir a passagem de grandes navios.
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Impacto urbano
Tanto os canais holandeses quanto os santistas foram essenciais para permitir a expansão das cidades, melhorando a qualidade de vida dos habitantes. No entanto, ao longo do tempo, cada um tomou rumos diferentes:
Amsterdã consolidou as águas como cenário cultural e arquitetônico;
Santos encontra nos canais um instrumento de modernização e urbanização costeira.
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Em Santos e em Amsterdã, canais se tornaram símbolos urbanos
Vanessa Rodrigues/Arquivo A Tribuna Jornal e Reprodução/TV Globo
Identidade
Em Santos e em Amsterdã, os canais extrapolaram a função original e se tornaram elementos identitários e afetivos.
“Em Amsterdã, passeios de barco e caminhadas pelas pontes são parte da experiência turística essencial. Em Santos, os canais organizam o território e funcionam como marcos de referência para quem circula pela cidade, integrando o cotidiano de maneira natural”, explicou Willians.
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