
A Ford anunciou Andrea Pinto como nova CFO da América do Sul e com isso escreve um capítulo inédito na história da companhia na região: pela primeira vez, o cargo é ocupado por uma mulher brasileira.
A nomeação não é apenas uma movimentação de diretoria. É um sinal sobre em qual lugar o setor automotivo — historicamente masculino em seus escalões mais altos — começa, lentamente, a se reposicionar.
25 anos de Ford
Andrea Pinto entrou na Ford em 2000, na área de planejamento financeiro e passou as duas décadas seguintes construindo uma trajetória quase inteiramente dentro da companhia. Desde 2021, ocupava a diretoria de tesouraria, contabilidade, controles internos, planejamento e análise financeira da Ford para a América do Sul.
Com mais de 25 anos de experiência no setor automotivo e em auditoria, ela sucede Raul Limongi, recém-nomeado diretor de Vendas e Serviços da América do Sul, que por sua vez substitui Antonio Baltar Jr., transferido para uma nova posição nos Estados Unidos.
A trajetória de Andrea é também acadêmica e institucional. Graduada em Administração de Empresas pela Unesp (Universidade Estadual Paulista) e pós-graduada pela Faap (Fundação Armando Alvares Penteado), ela é membro do IBEF (Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças) e coautora do livro Mulheres nas Finanças II – Edição Poder de Uma História, obra dedicada à valorização da presença feminina em postos de liderança no setor financeiro.
O que Andrea Pinto diz sobre gestão
“Ao longo dos anos, tive a oportunidade de construir, gerenciar e inspirar times de diferentes tamanhos. Acredito no poder da colaboração, no desenvolvimento individual e na criação de um ambiente no qual a excelência e os resultados estratégicos são alcançados por meio de pessoas capacitadas e motivadas”, afirmou a nova CFO.
A fala revela um perfil de gestão que vai além do controle financeiro tradicional. Para uma companhia do porte da Ford, que opera em um mercado tão complexo quanto o da América do Sul, ter uma CFO com esse olhar sobre times e cultura organizacional pode ser tão relevante quanto o domínio técnico de balanços e fluxo de caixa.
Um marco
O fato de a nomeação de Andrea ser tratada como um marco histórico em 2026 diz muito sobre o ritmo lento com que a indústria automotiva tem avançado na diversidade de lideranças. Em um setor que movimenta bilhões e emprega milhões na América Latina, a chegada de uma mulher brasileira ao cargo máximo de finanças de uma das maiores montadoras do mundo ainda é notícia — o que, por si só, já é um dado revelador.
A trajetória de Andrea Pinto não representa apenas uma conquista individual. Representa a visibilidade de um caminho que, para muitas executivas do setor, ainda precisa ser construído tijolo por tijolo — dentro de uma empresa, durante décadas, prova após prova.
