Ed Motta: o artista mais previsível do Brasil

Ed Motta olhando pro lado esquerdo (dele)Divulgação

Eu já perdi as contas de quantas vezes o Ed Motta se meteu em treta. Nem tô falando só das polêmicas, mas da estrutura.

O cara tá seguindo um cronograma. Fala merda, pede desculpas, não aprende e reinicia. É tipo o Windows depois de uma atualização que nunca termina.

Falou mal do Hip Hop, e se desculpou. Falou mal do Raul Seixas, se desculpou.

Ele já soltou tanta nota de desculpas que devia mudar o nome pra Ed Notta. São tantas vezes que parece que eu tô assistindo o “Vale a Pena Ver de Novo”.

Daqui a pouco ele vai começar a pedir desculpas antes.

“Pessoal, eu quero me desculpar pela merda que eu vou falar durante a copa.”

Eu imagino a equipe dele em pânico quando ele fica três meses sem falar nada.

“Meu Deus… Ele está acumulando.”

O Ed Motta é o artista mais previsível do Brasil. Depois da desculpa, você sabe que vem uma ofensa nova.

O Ed Motta tem uma relação curiosa com o digital.

Ele usa a internet para criar o problema. Depois usa a mesma internet para resolver o problema criado pela internet.

A ferramenta do crime vira a ferramenta da absolvição. Interessante é que ele não banca a própria babaquice. Ele não é corajoso o suficiente pra dizer:

“É, chamei o cara garçom de paraíba mesmo.”

Não. Ele transforma o pedido de desculpas em performance.

Olha, deve ser difícil ser o Ed Motta. Imagina se sentir como quem recebeu a cidadania brasileira por erro administrativo.

O elitismo não aparece só nas polêmicas, aparece na visão que ele tem do próprio público. Em entrevistas sobre uma turnê europeia, ele chegou a declarar:

“Não falo em português no show”, “Não é possível que o imigrante brasileiro não saiba o básico de inglês”, “Meu público é ‘culto’, mas ‘turma simplória’ costuma aparecer.”

Verdade. Nada transmite sofisticação como arremessar uma cadeira no palco durante um show.

Talvez seja por isso que ele ficou feliz quando tacaram uma rolha de vinho nele durante uma apresentação. O ataque foi tão sofisticado que ele se sentiu em casa. Ele deve ter pensado:

“Graças a Deus não foi uma lata de Skol.”

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