Monique desmente babá sobre apagar mensagens e acusa ex-vereador

Julgamento do caso Henry BorelTomaz Silva/Agência Brasil

Durante interrogatório nesta terça-feira (2), no 2° Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, Monique Medeiros, mãe de Henry Borel, negou ter obrigado a babá a apagar mensagens sobre as agressões sofridas pelo filho e disse, pela primeira vez, ter acreditado que o ex-vereador, Jairo de Souza Santos, matou o filho.

Ela e ex-vereador, padrasto de Henry, são réus no processo que julga a morte do menino de 4 anos de idade, em março de 2021.

Thayná de Oliveira Ferreira, babá do ex-casal, afirmou em depoimento no último domingo (31), que foi orientada a mentir para sustentar uma versão favorável para Monique e Jairinho, após a morte do menino de 4 anos, em março de 2021.

Segundo Thayná, Monique teria obrigado ela a apagar a troca de mensagens e evitar comentários que comprometessem a imagem dos réus.

Nesta terça, a mãe declarou não ter solicitado nada à babá.

Dia da morte

No dia 8 de março de 2021, data da morte de Henry Borel, Monique acredita ter sido dopada de remédios por Jairinho sem que ela soubesse.

Ela relatou que estava sentindo uma certa confusão mental, e por isso, estava com dificuldade para entender o porquê do filho estar desacordado.

Monique acrescentou que foi até o quarto depois do ex-vereador ter dito que havia escutado um barulho. De acordo com ela, Jairo afirmou que havia colocado o menino na cama e que ele não estava respirando.

A mãe chorou ao lembrar do caso e comentou que não sabia da gravidade dos ferimentos.

Ela mencionou que só soube que Jairo não tinha tomado os remédios depois que uma ex-namorada revelou que conversava com ele na madrugada da morte de Henry. O homem negou a conversa.

Ela segue sendo interrogada na tarde desta terça (2).

Próximos passos

Nesta terça-feira, os jurados pretendem ouvir os dois acusados

A defesa de Jairinho conseguiu uma liminar na Justiça, para que Monique seja ouvida antes dele. Segundo os advogados, seria uma forma de ter conhecimento prévio das acusações antes de se defender.

Monique e Jairinho podem ser interrogados pelos próprios advogados, advogados da parte contrária, pela juíza Elizabeth Machado Louro, que preside o julgamento, o promotor de acusação e a assistência de acusação, Leniel Borel, pai de Henry.

Já na quarta-feira (3), está prevista a sessão de debates. O Ministério Público fará a acusação. Logo em seguida, será concedida a palavra ao assistente de acusação.

Também é esperado que a defesa seja ouvida. Ambas as partes terão direito a 1 hora e 30 minutos para a acusação e a defesa, mais 1 hora de manifestações complementares da acusação e mais 1 hora para a resposta da defesa.  

Quando tiver mais de um acusador ou mais de um defensor, o tempo será distribuído entre eles. Na falta de acordo, o juiz presidente dividirá de maneira que não ultrapasse o determinado.

Como há mais de um acusado, será acrescentado 1 hora para a acusação e a defesa e o tempo das manifestações complementares será elevado ao dobro.

Após os debates, os sete jurados, neste caso, cinco homens e duas mulheres, poderão fazer qualquer pergunta caso seja necessária uma explicação adicional.

O destino dos réus é decidido pelo voto sigiloso dos jurados, por maioria simples. Cabe a juíza a dosimetria (tamanho da pena) nos casos em que há condenação.

Não há previsão para o fim do julgamento, que já é o mais longo da história do Rio de Janeiro.

*Estagiária sob supervisão

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