Desenhos milenares escavados na floresta e a memória de Chico Mendes: a capital amazônica que nasceu de um seringal às margens do rio

Desenhos milenares escavados na floresta e a memória de Chico Mendes: a capital amazônica que nasceu de um seringal às margens do rio

No extremo oeste do Brasil, uma cidade cresceu agarrada à floresta e ao rio que lhe deu nome. Essa é Rio Branco, capital do Acre, nascida de um seringal no auge da borracha. Cortada pelo rio Acre e cercada de Amazônia, ela guarda a memória de Chico Mendes e o mistério de figuras geométricas escavadas no solo há mais de mil anos.

Do seringal à capital cravada na floresta

A história começou no látex. A cidade surgiu de um seringal às margens do rio Acre, no fim do século 19, quando o ciclo da borracha atraiu milhares de nordestinos para a floresta, segundo o Ministério do Turismo.

O rio sinuoso divide a cidade em duas partes, ligadas por pontes. Essa origem extrativista moldou a identidade local, contada hoje no Museu da Borracha e na Casa do Seringueiro, que reúnem objetos, fotos e a memória dos trabalhadores da mata.

Rio Branco, Acre // Créditos: Wikimedia Commons

Os geoglifos que mudaram a história da Amazônia

Escondidas na floresta há séculos, grandes figuras geométricas desafiam os arqueólogos. São os geoglifos, estruturas escavadas no solo em forma de círculos, quadrados e linhas, construídos por povos pré-colombianos há mais de mil anos.

Só no Acre já foram registrados cerca de 800 desses sítios, a maior concentração do país. O mais conhecido, o Jacó Sá, a cerca de 40 km de Rio Branco, tornou-se em 2018 o primeiro geoglifo brasileiro tombado como Patrimônio Nacional pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). A descoberta provou que a Amazônia já foi densamente povoada antes da chegada dos europeus.

Rio Branco, Acre // Créditos: Wikipedia

A cidade que guarda a memória de Chico Mendes

O nome mais célebre do Acre deixou marcas na capital. O seringueiro e ambientalista Chico Mendes, assassinado em 1988, virou símbolo mundial da luta pela floresta e dá nome a um dos principais espaços da cidade.

O Parque Ambiental Chico Mendes, com cerca de 53 hectares e entrada gratuita, reúne floresta preservada, trilhas e o Memorial Chico Mendes, reaberto no fim de 2024, segundo a Prefeitura de Rio Branco. O memorial resgata a vida do líder e o modo de viver dos povos da Amazônia.

O que fazer em Rio Branco?

A capital combina história da borracha, parques urbanos e natureza amazônica. Entre os principais pontos, destacam-se:

  • Parque Ambiental Chico Mendes: floresta, zoológico e o memorial do seringueiro, a poucos quilômetros do centro.
  • Museu da Borracha: inaugurado em 1978, conta o ciclo do látex e a Revolução Acreana.
  • Parque da Maternidade: extenso corredor verde urbano com ciclovia, bares e a Casa dos Povos da Floresta.
  • Palácio Rio Branco: sede histórica do governo, com museu sobre a formação do estado.
  • Sobrevoo dos geoglifos: passeio de balão ou avião para ver as figuras no solo a partir do alto.

Quem deseja planejar a viagem perfeita para descobrir a joia cultural da Amazônia e do norte do país, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal DEVA NO AR, que conta com mais de 59 mil visualizações.

No conteúdo, o apresentador mostra um roteiro fantástico com o Palácio Rio Branco, a belíssima Catedral de Nossa Senhora de Nazaré, o Mercado Velho Novo, curiosidades sobre o icônico Chico Mendes, o Museu dos Povos Acreanos, parques locais e dicas indispensáveis do que fazer em Rio Branco, Acre.

Quando é a melhor época para visitar?

O período de maio a setembro, a estação mais seca, é o mais indicado, com menos chuva e estradas em melhores condições para chegar aos geoglifos. O calor é constante o ano inteiro, típico da Amazônia.

Vale lembrar que o Acre tem fuso horário de duas horas a menos que Brasília, algo que surpreende quem chega de outras regiões. Entre outubro e abril, as chuvas são frequentes e intensas na floresta.

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Conheça a capital que vive abraçada à floresta

Rio Branco reúne história da borracha, mistérios arqueológicos e a memória de um dos maiores ambientalistas do mundo no coração da Amazônia. Poucas capitais do país estão tão ligadas à floresta que as cerca.

Vale conhecer Rio Branco, sobrevoar os geoglifos e entender por que o Acre é muito mais do que uma piada de internet.

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