Mergulhadores encontram templo, joias de ouro e santuário de Afrodite em cidade afundada há mais de 1.200 anos

Debaixo das águas do Mediterrâneo, uma antiga cidade portuária do Egito voltou a revelar sinais de riqueza, comércio e culto religioso. Nas ruínas de Thonis-Heracleion, arqueólogos encontraram um santuário de Afrodite, tesouros ligados ao Templo de Amon e estruturas preservadas após mais de 1.200 anos submersas.

Como o santuário de Afrodite foi encontrado em Thonis-Heracleion?

As descobertas foram divulgadas em setembro de 2023 pelo Instituto Europeu de Arqueologia Subaquática (IEASM), em uma missão liderada pelo arqueólogo marinho Franck Goddio. O trabalho ocorreu em parceria com o Departamento de Arqueologia Subaquática do Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito.

A escavação foi realizada na Baía de Aboukir, a cerca de 7 quilômetros da costa de Alexandria. Segundo o comunicado oficial do IEASM, Thonis-Heracleion foi um dos principais portos de entrada do Egito na Antiguidade.

Ruínas de Thonis-Heracleion aparecem soterradas sob o Mediterrâneo

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O que o Templo de Amon revelou sob o Mediterrâneo?

As escavações de 2023 se concentraram no canal sul da cidade e na área do Templo de Amon, principal santuário de Thonis-Heracleion. Abaixo dele, os pesquisadores encontraram vigas e postes de madeira que sustentavam a fundação do edifício.

Essas estruturas foram datadas do século V a.C. por análise de radiocarbono e dendrocronologia. A preservação da madeira após mais de 2.500 anos submersa ajuda a reconstruir a arquitetura do templo e a importância política desse espaço no delta egípcio.

Quais joias e objetos foram encontrados no templo?

Os arqueólogos recuperaram peças preciosas associadas ao tesouro do Templo de Amon. Muitos desses objetos estavam ligados a práticas rituais e cerimônias relacionadas à autoridade dos faraós.

Entre os principais achados, estão:

  • Instrumentos rituais de prata, usados em práticas religiosas
  • Joias de ouro, incluindo brincos em forma de cabeça de leão, pingente e amuleto com o olho udjat
  • Recipientes de alabastro, usados para perfumes, unguentos e substâncias rituais
  • Alça votiva de pedra calcária, associada a oferendas religiosas
  • Versador em forma de pato, esculpido em bronze e preservado no conjunto

Por que Afrodite muda a leitura da cidade submersa?

A leste do Templo de Amon, a equipe identificou um santuário grego dedicado a Afrodite, deusa do amor e da beleza. De acordo com a Archaeology Wiki, o local continha objetos de bronze, cerâmica importada da Grécia e armas gregas antigas.

Esses materiais confirmam a presença de comerciantes e colonos helênicos em Thonis-Heracleion durante a Dinastia Saíta. A cidade não funcionava apenas como porto egípcio: ela era um ponto de encontro entre tradições religiosas, rotas comerciais e comunidades de origens diferentes.

A tabela abaixo organiza os principais núcleos da descoberta e o que cada um revela sobre a cidade:

Área do achado O que foi encontrado Importância histórica
Templo de Amon Vigas, postes de madeira e objetos rituais Revela a riqueza religiosa e política do principal santuário local
Santuário de Afrodite Bronzes, cerâmicas gregas e armas antigas Confirma a presença de comunidades helênicas na cidade
Baía de Aboukir Ruínas urbanas preservadas sob o mar Mostra como o antigo porto desapareceu no Mediterrâneo
Cerâmicas gregas e bronzes aparecem junto às ruínas egípcias submersas

Como Afrodite reforça o encontro entre Egito e Grécia?

O santuário dedicado a Afrodite mostra que a cidade reunia mais do que mercadorias. Em um mesmo território portuário, cultos egípcios e gregos coexistiam, indicando um ambiente de circulação religiosa e cultural intensa.

Para visualizar o contexto dessa cidade submersa, o canal Segredos do Mundo, com 200 mil inscritos e 2.286 visualizações nesse conteúdo, apresenta um panorama sobre a chamada “Atlântida egípcia” e os achados feitos no fundo do mar:

O que o templo revela sobre Thonis-Heracleion?

Thonis-Heracleion aparece em papiros, inscrições egípcias e na tradição grega. O historiador Heródoto, que visitou o Egito no século V a.C., registrou a existência de um grande templo de Héracles na cidade.

A nova leitura do sítio amplia essa interpretação. Mais do que recuperar joias, madeira antiga e objetos de culto, a arqueologia subaquática mostra como esse porto funcionava como ponte entre o mundo egípcio e o mundo grego.

A cidade submersa que conectava deuses, comércio e poder

O templo encontrado em Thonis-Heracleion ajuda a explicar por que a cidade ocupava posição tão importante no antigo delta do Nilo. Ali, religião, comércio e poder político se misturavam em uma zona de passagem entre o Egito e o Mediterrâneo.

Depois de mais de 1.200 anos sob a água, cada objeto retirado da Baía de Aboukir mostra que o mar não apagou essa história. Ele preservou uma cidade onde Afrodite, Amon e antigos viajantes gregos dividiam o mesmo horizonte submerso.

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