
Um estudante descobriu por acaso uma antiga cidade maia escondida sob a floresta do estado de Campeche, no sudeste do México, ao analisar dados nas páginas do Google.
A cidade, chamado Valeriana, foi identificado por Luke Auld-Thomas, da Universidade Tulane, nos Estados Unidos, após ele localizar um mapa feito com tecnologia a laser e rever as informações com técnicas usadas na arqueologia.
A pesquisa, publicada em 2024 na revista científica Antiquity, descobriu uma cidade de 16,6 quilômetros quadrados que pode ter abrigado entre 30 mil e 50 mil habitantes entre os anos 750 e 850.

A descoberta surgiu de um conjunto de dados produzido em 2013 pelo projeto de monitoramento de florestas da região, o Alianza M-REDD+, coordenado pela organização The Nature Conservancy no México. O material foi coletado por uma empresa mexicana e estava disponível gratuitamente na internet.
Segundo Auld-Thomas afirmou em entrevista à BBC, o achado aconteceu de forma inesperada durante uma pesquisa no Google.
“Eu estava em algo como a página 16 da busca do Google e encontrei um levantamento a laser feito por uma organização mexicana para monitoramento ambiental.” Luke Auld-Thomas
As informações foram obtidas com a tecnologia Lidar, um sistema que usa feixes de laser disparados por aeronaves para criar mapas detalhados do terreno, inclusive em áreas cobertas por vegetação densa. Ao analisar novamente esses dados em busca de sinais de ocupação humana antiga, os pesquisadores identificaram estruturas que haviam passado despercebidas.

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Cidade tinha pirâmides, praças e estradas
As análises mostraram uma grande quantidade de construções. Ao todo, foram identificadas 6.764 estruturas de diferentes tamanhos.
Valeriana possuía dois grandes centros urbanos separados por cerca de dois quilômetros. Eles eram ligados por áreas residenciais e por caminhos construídos pelos antigos habitantes. Ainda foram encontradas praças, pirâmides usadas em cerimônias religiosas, reservatórios para armazenamento de água e uma quadra destinada a um jogo de bola praticado pelos maias.
O nome da cidade foi escolhido em referência a uma lagoa de água doce localizada nas proximidades.

Apesar de ser desconhecida da comunidade científica até recentemente, a cidade fica a cerca de 15 minutos de caminhada de uma estrada importante próxima a Xpujil, região onde atualmente vive uma população formada majoritariamente por descendentes dos maias.
O professor Marcello Canuto, um dos autores do estudo, explicou que a descoberta questiona uma ideia de que as regiões tropicais não seriam capazes de sustentar grandes civilizações por longos períodos. Segundo o pesquisador, essas áreas abrigaram populações numerosas e sociedades altamente organizadas.
Mais cidades podem ser achadas
Os arqueólogos afirmam que não é possível saber exatamente o que levou ao abandono de Valeriana. No entanto, o estudo indica que mudanças no clima e longos períodos de seca podem ter contribuído para o declínio das populações maias a partir do ano 800. “A paisagem estava completamente cheia de pessoas no início das condições de seca e não tinha mais muita flexibilidade. E então talvez o sistema inteiro tenha se desfeito conforme as pessoas se mudavam para mais longe.” Luke Auld-Thomas
Segundo os pesquisadores, conflitos armados e a tomada da região por espanhóis no século XVI também ajudaram a provocar o desaparecimento dos antigos centros urbanos maias.
A equipe acredita que ainda existam muitos sítios arqueológicos desconhecidos na região. Para Auld-Thomas, a quantidade de descobertas possibilitada pelo uso do Lidar já é tão grande que os pesquisadores não conseguem estudar todos os locais encontrados.
“Um dos problemas de descobrir muitas cidades maias novas na era do Lidar é que há mais delas do que jamais poderemos estudar.” Luke Auld-Thomas
