
O dono do Banco Master Daniel Vorcaro apresentou nova proposta de delação premiada à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR), nesta primeira semana de junho.
O movimento busca destravar as negociações e traz elemento inédito que deve ampliar as investigações: relatos sobre o financiamento e produção do filme “Dark Horse” sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A nova versão da delação foi entregue na segunda-feira (1) e complementada pela defesa nesta terça (2). Essa nova tratativa ocorre após a rejeição da primeira versão pela PF por ser “pobre” em fatos e provas.
Após modificar a equipe de defesa, o ex-controlador do Master se inclinou à novas negociações como forma de reverter a “descrença” e garantir os benefícios jurídicos da colaboração. A nova linha estratégica da equipe de advogados se direcionou a ampliar e desenhou novos capítulos que detalham mecanismos financeiros que até então, não foram mapeados, segundo informações de fontes da corporação.
A expectativa da defesa é que este novo relato sobre seu envolvimento ativo no filme do ex-presidente que tem como principal articulador e captador de recuros o seu filho, o senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), tenha utilidade efetiva.
Plano B
Esses dados novos lança à luz sobre as conexões empresariais e políticas de Daniel Vorcaro, cujo nome está envolvido em vários tentáculos dentro do sistema financeiro nacional. De acordo com fontes ligadas ao caso, levantadas pela CNN, o ponto central da nova delação do ex-dono do Banco Master envolve a exposição de negociações e repasses ligados à produção cinematográfica documental sobre Bolsonaro.

Segundo informações o ex-banqueiro não somente expôs seu envolvimento e o movimento do filme, como apresentou nomes, inclusive da política e aprofundou histórias já narradas anteriormente, mas de forma superficial. Além das declarações, há provas materiais, dentre elas, notas fiscais, contratos, resgistros bancários que em tese, já comprovam as alegações, conforme afirma a defesa de Vorcaro.
Sobre essas provas, mais especificamente, consta também na nova delação a narração de Vorcaro sobre os pedidos e cobranças de Flávio Bolsonaro sobre recursos, mas especificamente transferências bancárias no valor de R$ 61 milhões, de um total de R$ 134 milhões negociados para a produção do filme.
Novos personagens
De acordo com a apuração da reportagem, a nova versão acrescenta novos personagens, inclusive da política, e aprofunda histórias já narradas superficialmente na versão anterior.
Diante disso, estes foram entregues às autoridades e neles constam a engrenagem dos bastidores do filme: como as verbas foram direcionadas para o projeto, nomes dos principais patrocinadores e se foi usado estruturas bancárias de fachada para ocultar e lavar dinheiro.
Por meio de suas assessorias, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República afirmaram que não se manifestam sobre negociações e acordos de delação premiada e que esse método corre sob sigilo na Justiça.
A defesa técnica de Daniel Vorcaro foi procurada pelo iG, mas, até o momento, não houve retorno. A informação do administrativo do escritório de advocacia é que as manifestações dos clientes ocorrem estritamente nos autos processuais.
Caminho da delação
Agora o documento segue um rito jurídico próprio de aprovação. O material passará por auditoria rigorosa da Polícia Federal e também da Procuradoria. Estes órgãos vão, separadamente, avaliar as informações de ponta a ponta, verificar se são verdadeiras, inéditas e eficazes para o Estado desmantelar e desvendar os esquemas ilícitos que tem Vorcaro como centro ou elo.
Após essa fase braçal da PGR e PF e validade pelas instituições, o documento proveniente da delação segue para homologação no Supremo Tribunal Federal (STF), sob a relatoria do ministro André Mendonça.
