Sal impediu existência de dinossauros marinhos, diz estudo

Sal pré-histórico impediu existência de dinossauros marinhos, diz estudoAlessandro Paterna and Mario Falasca (OPHIS)

Durante mais de 160 milhões de anos, os dinossauros dominaram os ambientes terrestres do planeta. No entanto, ao contrário de outros grupos de répteis que prosperaram nos oceanos, eles nunca chegaram a estabelecer uma presença significativa em mares abertos. Agora, uma nova pesquisa internacional pode ter encontrado uma explicação para esse antigo mistério da evolução. As informações são da IFL Science.

O estudo, publicado na revista científica Historical Biology, identificou evidências de glândulas especializadas para eliminação de sal em fósseis de espinossaurídeos, grupo de dinossauros carnívoros que inclui o famoso Espinossauro (Spinosaurus). A investigação foi conduzida por pesquisadores da Europa com participação do brasileiro Mauro B. S. Lacerda, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Dinossauros passavam mais tempo em lagos e rios

Os espinossaurídeos já eram conhecidos por apresentarem características incomuns entre os dinossauros. Seus longos focinhos lembravam os dos crocodilos, os dentes eram adaptados para capturar peixes e suas caudas possuíam formato que favorecia a locomoção na água. Essas peculiaridades indicam que passavam boa parte do tempo em rios, lagos e áreas pantanosas.

DinossauroImagem gerada por IA

Mas viver próximo à água não significava estar preparado para enfrentar os desafios dos ambientes marinhos. O principal obstáculo era a alta concentração de sal. Em excesso, o sódio pode causar graves desequilíbrios fisiológicos, tornando indispensável a existência de mecanismos eficientes para sua eliminação.

Ao analisar diversos crânios fossilizados, os cientistas encontraram depressões ósseas acima das órbitas oculares. Essas estruturas foram interpretadas como marcas deixadas por glândulas de sal, órgãos encontrados atualmente em aves marinhas e iguanas-marinhas. Nessas espécies modernas, tais glândulas permitem expulsar o excesso de sal ingerido por meio da alimentação ou da água do mar.

Segundo os autores, trata-se da primeira evidência robusta desse tipo de adaptação em um dinossauro não relacionado diretamente às aves modernas. A descoberta sugere que alguns espinossaurídeos conseguiam frequentar ambientes de água salobra, como estuários e manguezais pré-históricos, onde rios se misturavam ao mar.

Apesar disso, a adaptação parece ter sido limitada. A posição e a estrutura dessas glândulas diferiam das observadas em aves marinhas atuais, consideradas extremamente eficientes na regulação do sal. Os pesquisadores acreditam que restrições anatômicas do crânio dos dinossauros dificultaram a evolução de sistemas mais eficazes de excreção salina. Como consequência, eles nunca conseguiram ocupar plenamente os ambientes oceânicos.

A paleontóloga italiana Andrea Cau, autora principal do trabalho, explicou que as glândulas provavelmente ficavam acima do crânio, sob a pele, sem produzir alterações visíveis na aparência do animal. Diferentemente das iguanas-marinhas modernas, que expelem sal pelas narinas e podem acumular resíduos esbranquiçados na cabeça, os espinossauros não teriam desenvolvido características externas marcantes associadas a esse mecanismo.

Os resultados reforçam a ideia de que os espinossaurídeos representaram uma das tentativas mais avançadas dos dinossauros de explorar ambientes aquáticos. Ainda assim, eles permaneceram dependentes de ecossistemas costeiros, estuários e áreas alagadas, sem alcançar o mesmo sucesso evolutivo de outros répteis marinhos que dominaram os oceanos durante a Era dos Dinossauros.

A descoberta também abre novas linhas de investigação sobre a fisiologia desses predadores gigantes. Os cientistas esperam que futuras análises revelem até que ponto esses animais conseguiam tolerar ambientes salinos e como essa adaptação influenciou seu comportamento e distribuição geográfica ao longo do período Cretáceo.

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