Após dez dias de julgamento, o caso Henry Borel chegou ao fim na madrugada desta quinta-feira com a condenação do ex-vereador Dr. Jairinho e a concessão de perdão judicial a Monique Medeiros pelo crime de homicídio culposo. O júri, o mais longo da história do Tribunal de Justiça do Rio, reuniu dezenas de testemunhas, peritos, médicos e familiares. Relembre os principais momentos de cada dia do julgamento.A abertura do julgamento foi marcada por impasses processuais. Jairinho chegou a destituir sua equipe de defesa alegando prejuízo pela ausência de um dos advogados, mas voltou atrás pouco depois. Ao longo do dia, a defesa apresentou 23 pedidos para anular parcial ou integralmente o júri, todos rejeitados pela juíza Elizabeth Louro. Nenhuma testemunha foi ouvida.Os delegados responsáveis pela investigação, Edson Damasceno e Ana Carolina Medeiros, detalharam o trabalho policial e apontaram contradições nas versões apresentadas por Jairinho e Monique. Eles sustentaram que a investigação afastou a hipótese de acidente doméstico e relataram tentativas de evitar que o corpo de Henry fosse encaminhado ao IML.O psiquiatra Rafael Bernardon, contratado pela assistência de acusação, afirmou ter identificado sinais de satisfação de Jairinho ao causar sofrimento em crianças. Mais tarde, a médica Maria Cristina Azevedo, do Hospital Barra D’Or, relatou que Henry chegou à unidade em parada cardiorrespiratória e com diversas marcas pelo corpo. Monique se emocionou ao assistir a um vídeo do filho exibido pela acusação.O julgamento ouviu testemunhas que relataram supostos episódios de violência praticados por Jairinho contra outras crianças. Funcionárias de um salão de beleza afirmaram ter ouvido Henry reclamar de agressões, enquanto ex-companheiras do ex-vereador relataram casos envolvendo seus próprios filhos. O depoimento de maior impacto foi o de Kaylane Pereira, que afirmou ter sofrido agressões quando criança.Peritos responsáveis pela análise da morte de Henry afirmaram que as lesões encontradas no corpo da criança eram incompatíveis com acidente doméstico ou manobras de reanimação. Eles sustentaram que Henry já estava morto ao chegar ao hospital. O dia também foi marcado pelo emocionante depoimento de Leniel Borel, pai do menino, que relembrou sinais de que o filho sofria agressões.As testemunhas de defesa de Monique tentaram afastar a acusação de omissão. O irmão da ré afirmou que ela desconhecia as agressões atribuídas a Jairinho e ficou devastada com a morte do filho. Outras testemunhas destacaram a relação afetuosa entre Monique e Henry.A babá Thayná Ferreira, considerada uma das principais testemunhas da acusação, relatou episódios que a fizeram suspeitar de agressões contra Henry. Ela afirmou ter recebido orientações para apagar mensagens e minimizar relatos sobre a família após a morte da criança. No mesmo dia, o pai de Jairinho defendeu o filho e contestou as acusações apresentadas ao longo do processo.O confronto entre a perícia oficial e um assistente técnico da defesa marcou o encerramento da fase de testemunhas. Enquanto os peritos reafirmaram que a morte não poderia ser explicada por um acidente doméstico, o especialista da defesa sustentou que a lesão fatal poderia ter origem acidental.Monique e Jairinho foram interrogados. Pela primeira vez, a mãe de Henry afirmou acreditar que o ex-companheiro foi o responsável pelas agressões que culminaram na morte do filho. Jairinho voltou a negar qualquer participação no crime, contestou a investigação e apresentou sua versão para os acontecimentos da madrugada da morte do menino.O último dia foi dedicado aos debates finais entre acusação e defesa. O Ministério Público sustentou que Jairinho era o responsável pelas agressões que mataram Henry e que Monique foi omissa diante dos sinais de violência. Após a votação dos jurados, Jairinho foi condenado a 43 anos, nove meses e 20 dias de prisão por homicídio duplamente qualificado, tortura e coação no curso do processo.Já Monique teve a acusação de homicídio doloso desclassificada para homicídio culposo, recebeu perdão judicial por esse crime, mas foi condenada por omissão diante da tortura sofrida pelo filho.