
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta quinta-feira (4), em Paris, que não há justificativa para a imposição de tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Segundo o chanceler, os argumentos apresentados pelo governo americano para aplicar a medida “não são legítimos”.
De acordo com Vieira, o Brasil já forneceu às autoridades norte-americanas todas as informações necessárias para contestar a proposta de taxação.
A manifestação ocorreu durante a Reunião do Conselho Ministerial da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e da reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), realizadas entre os dias 3 e 4 de junho, em Paris.
Segundo o ministro, o Brasil continuará buscando uma solução por meio do diálogo para evitar a aplicação da tarifa de 25% proposta pelo Escritório de Comércio dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Ele ressaltou que o governo pretende manter os canais diplomáticos abertos e, neste momento, não considera adotar medidas de retaliação.
Embora ainda não haja uma data definida para novas negociações, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já confirmou presença na cúpula do G7, que ocorrerá entre os dias 15 e 17 de junho, na França.
À margem do encontro da OCDE, Vieira também teve uma conversa informal com o representante de Comércio Exterior dos Estados Unidos, Jamieson Greer. Segundo o chanceler, o contato foi breve e partiu do próprio representante americano.
“Ele se aproximou de mim e conversamos. Disse que estava tendo ótimas conversas com o Brasil. Eu respondi que é do nosso interesse manter o diálogo, sobretudo após o anúncio dos relatórios finais das duas investigações sobre a Seção 301, que acabavam de ser divulgados, antes do prazo estabelecido na reunião dos presidentes em Washington”, disse.
Entenda a taxação proposta pelos EUA
Os Estados Unidos propuseram uma tarifa sobre produtos brasileiros após concluírem uma investigação comercial contra o Brasil. A recomendação foi anunciada na última segunda-feira (1º) pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos ( USTR), com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
Segundo o órgão, algumas políticas e práticas adotadas pelo governo brasileiro estariam prejudicando empresas e exportadores americanos. Com o fim da investigação, os EUA abriram uma consulta pública antes de decidir se a medida será colocada em prática.
A proposta prevê uma taxa de 25% sobre produtos brasileiros vendidos ao mercado americano. Caso seja confirmada, a cobrança pode aumentar os custos para exportadores brasileiros que têm os Estados Unidos como um dos principais destinos de venda.
