
A mãe adotiva da mulher de 37 anos presa após se passar por uma adolescente de 12 anos em Joinville, no Norte de Santa Catarina, afirmou nesta quinta-feira (04) que a descoberta da fraude começou após um episódio que classificou como “estranho” durante um fim de semana em que a suspeita ficou sob os cuidados dela.
Renata Magalhães, que acolheu a investigada junto da família, publicou um vídeo nas redes sociais relatando os momentos que antecederam a revelação do caso. Segundo ela, a mulher, que se apresentava como “Gabriele”, pediu ajuda durante a noite e insistiu para que ela entrasse sozinha em uma residência.
Segundo Renata, ela decidiu acionar Viviane Henriques, responsável pelo instituto que acolheu a suposta adolescente inicialmente, e a Polícia Civil foi chamada.
“Aí liguei para a Viviane, ligamos para a Polícia e foi desvendado o caso”, disse.
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No mesmo pronunciamento, Renata afirmou que voltou à delegacia após receber uma ligação da equipe responsável pela ocorrência.
Segundo ela, policiais teriam encontrado no celular da investigada pesquisas relacionadas à construção da personagem que ela mantinha havia mais de um ano.
A Polícia Civil ainda não confirmou oficialmente o conteúdo mencionado pela mãe adotiva.
Mulher fingiu ser adolescente por 14 meses
De acordo com a investigação, Amanda Maria Souza de Oliveira tem 37 anos, mas se apresentou durante cerca de 14 meses como uma adolescente de 12 anos chamada “Gabriele”.

Ela dizia ter fugido do Pará após sofrer maus-tratos do pai e afirmava ser autista. A narrativa mobilizou integrantes de uma igreja em Joinville, que passaram a ajudá-la financeiramente.
Segundo a Polícia Civil, a suspeita utilizava chupeta, mamadeira, afinava a voz e reproduzia comportamentos infantilizados para sustentar a falsa identidade.
A fraude só foi descoberta após informações recebidas pela família levantarem dúvidas sobre sua verdadeira idade.
Amanda foi presa na terça-feira (02) pelos crimes de estelionato e falsa identidade. Em audiência de custódia realizada na quarta-feira (03), a Justiça converteu a prisão em flagrante em preventiva e determinou exames de sanidade mental.
Caso lembra filme ‘A Órfã’
A história descoberta em Joinville, no Norte de Santa Catarina, despertou comparações imediatas com o filme A Órfã (2009), um dos maiores sucessos do gênero nos últimos anos.

Na trama, um casal decide adotar Esther, uma menina aparentemente tímida e vulnerável após a perda de um filho. Com o passar do tempo, porém, situações estranhas começam a surgir dentro da casa.
A família descobre então que Esther não é uma criança. Na verdade, trata-se de uma mulher adulta com uma condição rara que altera sua aparência física, permitindo que ela se passe por uma menina.
Assim como no caso investigado em Santa Catarina, a personagem constrói uma identidade falsa, inventa um passado marcado por sofrimento e conquista a confiança das pessoas ao redor por meio de comportamentos que despertam proteção e empatia.
As semelhanças não param aí.
No filme, Esther passa a agir de forma cada vez mais agressiva quando percebe que sua verdadeira identidade corre o risco de ser descoberta. Ela tenta impedir que a farsa seja revelada e chega a atacar integrantes da própria família adotiva.
Em Joinville (SC), a mãe adotiva Renata Magalhães afirmou nesta quinta-feira (04) que sentiu medo da investigada pouco antes da revelação do caso. Segundo ela, a mulher insistiu para que entrasse sozinha em uma residência escura durante a noite.
“Veio uma voz no meu coração e disse: ‘não entra, ela vai te fazer mal'”, relatou.
Até o momento, porém, a Polícia Civil não divulgou qualquer indício de tentativa de agressão ou violência física contra a família que acolheu a suspeita.
As investigações seguem concentradas nos crimes de falsa identidade e estelionato.
