
O guia nepalês Dawa Sherpa, de 56 anos, foi encontrado vivo nesta quinta-feira (04), seis dias depois de desaparecer no Monte Everest, no Nepal. As informações são do jornal local Kantipur.
Sherpa havia sido dado como desaparecido na última sexta-feira (29), durante uma expedição na região do Khumbu Icefall, uma das áreas mais perigosas da montanha mais alta do mundo.
O guia foi localizado na manhã do sétimo dia, ainda se movendo com dificuldade em direção ao acampamento base, depois de ser visto em um ponto conhecido como Crampon Point, dentro da chamada “zona da morte”, onde o frio é extremo e o ar tem muito pouco oxigênio.
As buscas por Dawa incluíram o envio de um helicóptero a partir de Kathmandu, capital do Nepal, na quarta-feira (04). O piloto Bibek Khadka relatou ao jornal Kantipur que a aeronave sobrevoou a região por cerca de 25 minutos, entre o acampamento base e áreas acima dos 7.300 metros de altitude, sem conseguir localizar o guia naquele momento.

Resgate
Depois disso, o Comitê de Controle de Poluição de Sagarmatha, que atua na região do Everest, informou que funcionários no acampamento base confirmaram que o guia havia sido encontrado com vida. A partir dessa confirmação, uma nova operação aérea foi organizada. O resgate levou o montanhista inicialmente até Surke e depois até a capital.
Após ser encontrado, o guia foi transportado de helicóptero até Gorakshep e, em seguida, levado para atendimento médico em Kathmandu, no hospital HAMS. Ele apresentava sinais de congelamento em alguns dedos, mas estava consciente.
Segundo o guia e montanhista Chhiring Jangmu Sherpa, sobreviver por vários dias nessas condições extremas, sem comida, água ou abrigo adequado, é algo raro no Himalaia.
Familiares de Dawa Sherpa afirmaram que ele contou ter se separado do grupo no acampamento IV e enfrentado dificuldades depois da remoção de cordas e escadas fixas usadas na rota de subida.
Segundo os relatos da família, ele teria conseguido sobreviver consumindo alimentos deixados por outros alpinistas em pontos mais altos da montanha.
O guia permanece internado e se recupera, com estado de saúde considerado estável.

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Acusações sobre a expedição
O caso também passou a ser marcado por denúncias feitas pelo montanhista polonês Mariusz Chmielewski, que participou da mesma expedição organizada pela empresa Himalayan Traverse Pvt Ltd. Ele afirmou que houve falhas na organização, atrasos e falta de estrutura durante a escalada.
Chmielewski disse ao jornal Kantipur que a equipe teria trabalhado de forma desorganizada, com problemas de comunicação e falhas no fornecimento de equipamentos. Ele também relatou dificuldades com o uso de oxigênio suplementar durante a descida.
Segundo ele, embora tivesse comprado sete cilindros de oxigênio, não conseguiu acesso adequado ao material durante a subida e a descida. O alpinista afirmou ainda que um membro da equipe teria seguido adiante levando parte do equipamento.
Investigação
As autoridades do Nepal informaram que abriram uma investigação para apurar as circunstâncias do desaparecimento e as condições da expedição.
O diretor do Departamento de Turismo, Ram Krishna Lamichhane, afirmou que o caso está sendo analisado e que possíveis medidas legais podem ser tomadas caso sejam encontradas irregularidades.
