
Uma nova estrela visível próxima ao Cruzeiro do Sul está chamando a atenção de astrônomos e observadores do céu em todo o hemisfério sul. Batizado de Nova Muscae 2026, o fenômeno foi identificado pelo projeto internacional ASAS-SN (All-Sky Automated Survey for Supernovae) e confirmado por pesquisadores da Universidade Estadual de Michigan, nos Estados Unidos.
A estrela está localizada na constelação da Mosca (Musca), vizinha ao Cruzeiro do Sul, uma das formações estelares mais conhecidas pelos brasileiros. No Brasil, o fenômeno também vem sendo acompanhado e divulgado pelo Observatório Astronômico da Universidade Estadual Paulista (Unesp), que registrou imagens do objeto e explicou suas características ao público.
Segundo os astrônomos, o brilho da estrela aumentou repentinamente após uma explosão conhecida como “nova”, fenômeno relativamente raro e que pode ser observado com binóculos simples em locais com pouca poluição luminosa.
A descoberta chamou atenção da comunidade científica porque permite acompanhar a evolução de uma explosão estelar em tempo real, além de oferecer uma oportunidade incomum para observadores amadores.
Descoberta foi confirmada por pesquisadores dos EUA
A Nova Muscae 2026 foi detectada em 24 de maio pelo ASAS-SN, rede internacional de telescópios dedicada ao monitoramento contínuo do céu.
A natureza do fenômeno foi confirmada por uma equipe liderada pelo astrônomo Jay Strader, da Universidade Estadual de Michigan, que utilizou o telescópio SOAR, no Chile, para analisar o objeto.
As observações mostraram que se trata de uma “nova clássica”, um tipo de explosão que ocorre em sistemas compostos por duas estrelas.
O Observatório Astronômico da Universidade Estadual Paulista (Unesp) também registrou imagens do fenômeno por meio de observações realizadas pelo pesquisador Demilson Quintão.
Explosão aumentou o brilho da estrela
Apesar da aparência de uma nova estrela surgindo no céu, os especialistas explicam que o astro já existia anteriormente.
O sistema é formado por uma anã branca, isto é, o que sobra de uma estrela depois que ela esgota quase todo o seu combustível, e uma estrela companheira. Ao longo do tempo, a anã branca atrai gás da estrela vizinha. Quando material suficiente se acumula em sua superfície, ocorre uma reação termonuclear que libera enorme quantidade de energia.
Essa explosão faz a estrela aumentar drasticamente de brilho por um período limitado, tornando-a visível para observadores na Terra.
Diferentemente de uma supernova, o fenômeno não destrói a estrela, que pode voltar a apresentar novas explosões no futuro.
Luz viajou 15 mil anos até chegar à Terra
Os cientistas estimam que a Nova Muscae 2026 esteja localizada a aproximadamente 15 mil anos-luz do nosso planeta.
Isso significa que a explosão observada atualmente ocorreu há cerca de 15 mil anos. A luz liberada pelo fenômeno levou todo esse tempo para percorrer a distância que separa a estrela da Terra.
Por esse motivo, a astronomia permite observar eventos do passado do Universo, alguns deles ocorridos muito antes do surgimento das civilizações humanas.
Saiba onde observar a nova estrela
A Nova Muscae 2026 está localizada na constelação da Mosca, logo abaixo do Cruzeiro do Sul.
Segundo o Observatório da Unesp, o melhor horário para observação é durante a noite, especialmente nas horas seguintes à meia-noite, quando o Cruzeiro do Sul aparece bem destacado no céu do hemisfério sul. A proximidade entre as duas constelações facilita a localização do fenômeno.

Em áreas afastadas da iluminação intensa das cidades, binóculos simples já são suficientes para visualizar a estrela. Telescópios amadores permitem uma observação ainda mais detalhada.
Fenômeno raro atrai interesse de astrônomos
Embora ocorram dezenas de novas por ano na Via Láctea, apenas uma pequena parcela delas alcança brilho suficiente para ser observada sem equipamentos profissionais.
Por isso, a Nova Muscae 2026 é considerada uma oportunidade especial para quem acompanha fenômenos astronômicos. Além de permitir a observação direta de uma explosão estelar, o evento ajuda cientistas a compreender melhor como estrelas interagem e evoluem ao longo do tempo.
