
Uma quadrilha especializada em desviar combustível em grande quantidade e diretamente da malha dos dutos subterrâneos foi presa pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) na madrugada deste sábado (6). A Operação Esfinge desmantelou grupo que foi pego no exato momento em que operava em estrutura clandestina de retirada.
Segundo dados atualizados pela PCDF no início da tarde, três homens foram presos em flagrante, sendo que um deles era reincidente e possuía passagem criminal pelo mesmo crime, há dois anos. A suspeita que a ação tenha relação direta com o crime organizado.
Segundo balanço inicial da corporação, os criminosos extraíram em apenas cinco dias, cerca de 100 mil litros do combustível, dando prejuízo financeiro imediato de muitas cifras. O valor aproximado ou exato não foram informados até o momento pela PCDF. Já a Transpetro se manifestou em nota dizendo que não divulga valores relacionados à ocorrência “para evitar estimular a prática criminosa”.
O crime é tratado como derivação clandestina e segundo os investigadores, requer muita precisão na operação. A retirada do produto era feita da seguinte maneira: os suspeitos faziam furos na tubulação do oleoduto sob forte pressão e instalaram válvulas e mangueiras de alta resistência, fazendo com que o líquido fizesse o trajeto em direção aos caminhões-tanque da quadrilha.
Para fazer esse tipo de interferência é necessária ferramentas industriais e conhecimento técnico sobre o fluxo de combustíveis, o que evidencia o alto grau da operação e capacidade de planejamento dos envolvidos.
Investigações
Segundo as investigações, o grupo alugou imóvel comercial às margens da DF-180 há três meses, próximo ao oleoduto. Neste imóvel eles cavaram túnel de cerca de 2,5 metros de profundidade, com um metro de largura e cinco metros de comprimento até o local. A partir desse canal foi furtanda a gasolina e óleo diesel.
A descoberta do crime partiu dos sistemas de segurança da Transpetro, subsidiária da Petrobras, localizada em Ceilândia (DF). A empresa possui centrais automatizadas com sensores de alta sensibilidade, que podem apontar reduções bruscas ou variações anormais na pressão interna dos oleodutos. A central disparou alertas que indicavam inconformidade no oleoduto, com indicação exata do ponto sensível o que permitiu acionar de imediato as equipes da empresa e polícia.
Muito além do impacto econômico às estatais, equipe técnica do setor e da 19ª Delegacia da PCDF reforçam que a ação ilegal é de extremo risco com impactos no meio ambiente e humano. Mais precisamente pelo fato destes tipo de dutos funcionarem sob pressão extrema. Uma intervenção sem protocolos específicos de engenharia, a probabilidade de gerar explosões em grandes proporções é altíssima.
Além disso, a ação poderia evoluir de explosão para incêndios em áreas rurais ou urbanas e também, vazamentos do produto químico que contaminaria o sol, até o lençol freático da região.
Prisão em flagrante
Como a ação foi flagrada pela equipe policial, os três detidos na operação foram encaminhados à carceragem da 19ª DP de Ceilândia e vão responder, de acordo com a PCDF, por crimes de furto qualificado com destruição ou rompimento de obstáculo mediante o concurso de pessoas, associação criminosa, crime ambiental e contra a incolumidade pública.
Ao todo as penas somadas podem ultrapassar a 20 anos de prisão. Um dos suspeitos foi liberado por não ter sido comprovado o envolvimento no crime. As ferramentas usadas pela quadrilha no crime e os veículos que faziam a logística da retirada do produto foram apreendidos.
A partir de agora, a investigação mergulha em nova etapa: a de rastrear quem ou o grupo que receptava esse produto. Para os investigadores, dado o volume retirado – mais de 100 mil litros -, indica que há uma rede paralela de distribuição comercial, que ainda opera no abastecimento ilegal de postos de combustíveis “cúmplices” com intuito de inflar as margens de lucro.
O que disse a Transpetro
Em nota à imprensa, a Transpetro informou que está trabalhando em conjunto com as autoridades de segurança pública e que a ação criminosa, mesmo volumosa, não vai impactar no fornecimento de combustível para a região.
A empresa reforçou que disponibiliza canal de denúncia gratuito e 24 horas, e que ocorrências podem ser registradas de forma anônima. A companhia ressaltou que movimentações suspeitas nas mediações e nas faixas dos dutos configuram ação suspeita.
