STM define data para julgamento de recurso de Bolsonaro

Bolsonaro que cumpre prisão domiciliar humanitária temporária tem julgamento marcado na esfera militar e pode perder patenteFábio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil

O julgamento de um dos recursos dos advogados do ex-presidente Jair Bolsonaro foi marcado pelo Superior Tribunal Militar (STM). A data definida é 24 de junho de 2026, às 9h. A determinação da data pela Suprema Corte militar foi oficializada pelo tribunal na última quarta-feira (3), quando o processo foi incluído no Diário Eletrônico de Pauta.

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O processo tramita sob a classe de Agravo Interno Criminal na justiça militar e está como o primeiro item da pauta de julgamentos do Tribunal Pleno do dia. A ministra-presidente da Corte, Maria Elizabeth Guimarães Teixeira Rocha é relatora do processo.

Segundo consta no processo, o recurso se refere a uma contestação da defesa respeito de decisões anteriores em processos relacionados à esfera militar.

O foco das acusações e a ação

O tema central que determina a linha principal da acusação deste desdobramento é baseado na “Promoção, constituição, financiamento ou integração de Organização Criminosa”, crime que é previsto na legislação penal nacional. Porém, os registros do processo detalham uma série de infrações vinculadas e ocorrências que estão sob avaliação no STM:

  1. Organização Criminosa: que configura promoção, financiamento ou integração de grupo criminoso, como assunto principal da ação;
  2. Crimes contra o Ordenamento Urbano: infrações relacionadas ao ordenamento urbano e ao patrimônio cultural;
  3. Dano Qualificado: Bolsonaro está enquadrado no artigo 163, parágrafo único, do Código Penal comum;
  4. Incidentes Processuais: cometimento de argumentos voltados à suspeição e nulidade da ação penal, orquestrados pelos advogados de defesa do ex-presidente.

Situação do ex-presidente

Atualmente, Jair Bolsonaro encontra-se preso. Ele foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em 11 de setembro de 2025, a 27 anos e 3 meses de prisão, em regime fechado, além de pagamento de multa.

De acordo com dados públicos, a defesa é liderada pelos advogados Paulo Amador Bueno, Gabriel Domingues e Saulo Lopes Segall, que atuam em oposição ao Ministério Público Militar, que está como a parte agravada da ação – oposição.

O que está em jogo na esfera militar?

Diferente das cortes criminais comuns, o Supremo Tribunal Militar não reavalia de forma direta as provas do crime comum para aplicar uma nova pena na esfera militar. O objetivo principal do tribunal militar, neste tipo de ação, é julgar se o capitão da reserva do Exército Brasileiro permanece íntegro eticamente e moralmente para ostentar os títulos e honrarias das Forças Armadas.

Segundo informações jurídicas do tribunal a ação “não julga o mérito da condenação. Apenas os aspectos ligados ao direito de manter a patente alcançada ao longo da carreira”.

Sobre a autuação de Bolsonaro nos crimes apontados, incluem penas acessórias gerais do Direito Penal Militar:

  • Indignidade para o “Oficialato”: documento declatório formal que atesta que o militar julgado não possui conduta compatível com o prestígio da farda;
  • Perda da Patente e do Posto: o título militar conquistado ao longo da carreira de oficial é cassado em definitivo.

E mais, se o plenário do STM decidir contra Jair Bolsonaro, as sanções administrativas e financeiras são impostas de forma imediata. E não para por aí. O ex-presidente perde o direito de receber seu soldo (remuneração básica da patente) e adicionais decorrentes de sua patente.

De acordo com a lei, esse dinheiro cortado do titular é convertido na sua totalidade em pensão destinada exclusivamente aos seus dependentes legais, como esposa e filhos, o que deixa Bolsonaro sem a remuneração direta da reserva. O julgamento marcado pode selar o entendimento unificado do Pleno militar sobre os recursos que impedem o avanço do processo.

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