Penas de condenados por esquema de ‘lojas’ de tráfico do PCC somam mais de 50 anos de prisão em RR


Operação Fim de Dança, em novembro de 2025, prendeu chefes do PCC, que foram denunciados pelo MP.
PCRR/Divulgação
Os integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) condenados por chefiar a facção criminosa e operar um esquema de “lojas” do tráfico de drogas em Roraima receberam penas que, somadas, chegam a 54 anos, três meses e 13 dias de prisão. Ao todo, seis pessoas foram sentenciadas.
As sentenças foram aplicadas em 30 de abril de 2026 pela Vara Criminal Única da Comarca de Caracaraí, no Sul do estado.
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Entre os condenados estão o líder do esquema no estado, operadoras financeiras e o dono da propriedade rural onde as drogas ficavam escondidas. Veja abaixo quem são, as funções atribuídas e as penas fixadas pela Justiça:
Rodrigo Alberto Xavier, conhecido como “Sorriso Maroto”: condenado a 8 anos e 6 meses de prisão em regime fechado por organização criminosa e associação para o tráfico. Segundo a investigação, ele foi enviado de São Paulo para chefiar a facção em Roraima.
Cilara Rodrigues de Souza, conhecida como “Kauany”: condenada a 9 anos, 1 mês e 7 dias de prisão em regime fechado por organização criminosa e tráfico. Ela atuava no recrutamento de mulheres e no gerenciamento direto de “lojas”.
Thelrislainy Stifany de Jesus Icassatte, conhecida como “Allanna”: condenada a 9 anos, 1 mês e 7 dias de prisão em regime fechado por organização criminosa e tráfico de drogas. Segundo a investigação, ela era responsável pela movimentação financeira do grupo e pelo pagamento do aluguel do esconderijo das drogas. A Justiça manteve a prisão domiciliar provisória por ela estar grávida.
Gleimerson Leonardo de Souza, conhecido como “Profeta”: condenado a 8 anos, 2 meses e 15 dias de prisão em regime fechado por organização criminosa e tráfico. Ele gerenciava uma das “lojas” da facção no município de Mucajaí e enviava vídeos pesando crack, cocaína e skunk para a cúpula da facção.
José Daniel Alves de Sousa: condenado a 9 anos, 5 meses e 7 dias de prisão em regime semiaberto, além de um ano de detenção. Ele alugou a própria propriedade rural em Caracaraí para a facção enterrar um tambor (o “cofre central”) com 3,3 kg de cocaína e auxiliava nas auditorias. Ele poderá recorrer em liberdade.
Um sexto condenado, cuja identidade não foi divulgada, recebeu pena de nove anos, 11 meses e sete dias de prisão. De acordo com a investigação, ele exercia as funções conhecidas na facção como “Restrito da FM” e “Guarda-Roupa”. A informação foi divulgada neste sábado (6) pela Polícia Civil.
O g1 tenta localizar a defesa dos condenados.
Como funcionava o esquema
Segundo as investigações, o grupo operava o chamado “Setor da FM” (Família) do PCC, uma rede altamente estruturada de tráfico de drogas baseada em pontos de venda no varejo, conhecidos internamente como “lojas” ou “lojinhas”.
Segundo as investigações da Polícia Civil e do Ministério Público de Roraima (MPRR), a facção administrava ao menos 55 pontos de venda em vários municípios do estado, faturando cerca de R$ 1,5 mil por dia. Apenas 14 dessas lojas movimentaram R$ 414 mil em quatro meses.
A investigação apontou que o grupo seguia uma hierarquia rigorosa e era ligado ao setor nacional da facção chamado “FM – Progresso”. A maior parte do dinheiro arrecadado era enviada para a cúpula da organização em São Paulo. Os gerentes locais ficavam com uma comissão entre 25% e 30%.
O alto escalão do grupo era liderado por Rodrigo Xavier e Cilara Rodrigues, que chefiava as mulheres envolvidas e a loja mais lucrativa do esquema. Relatórios de inteligência usaram vídeos de prestação de contas e mensagens de celular para comprovar a atuação dos criminosos.
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Os condenados foram investigados na Operação Fim de Dança, deflagrada pela Polícia Civil em maio de 2025. A ação cumpriu mandados em Boa Vista, Caracaraí, Mucajaí, Iracema e Rorainópolis e teve desdobramentos que resultaram na Operação Fim de Dança II, considerada a maior já realizada pela corporação contra uma organização criminosa em Roraima.
Veja reportagem sobre operação que prendeu chefes:
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