
Daniel Vorcaro vai ter de suar para conseguir algum benefício da pena à qual certamente será submetido durante o julgamento dos crimes cometidos à frente do Banco Master.
O desafio é contar o que os investigadores não sabem. E tudo o que eles sabem vêm da coletânea de aparelhos celulares do banqueiro. Todos eles cantaram quando foram apreendidos pela Polícia Federal.
Relator do inquérito no STF, o ministro André Mendonça mandou Vorcaro passear quando ele apresentou o primeiro esboço de delação, em maio deste ano. Semanas depois, o ex-dono do Banco Master, já com uma equipe nova de advogados, voltou com uma proposta, digamos, mais parruda.
Dessa vez ao menos foi citado o financiamento para o filme sobre a vida de Jair Bolsonaro, “Dark Horse”. A informação é do colunista do Metrópoles Igor Gadelha.
Mas só porque a história já havia sido revelada pelo site “The Intercept Brasil”, que teve acesso a conversas entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Quem acompanha o movimento diz que a menção serve só para esclarecer dúvidas sobre o episódio. Ao que parece, Vorcaro vai lavar as mãos e não dirá se soube para onde foram os milhões inicialmente endereçados à produção do filme – e que os produtores do filme negam que tenha chegado ao destino.
De toda forma o responsável por homologar a delação está numa saia justa. Pode fingir que acredita que o patrocínio mediado por um senador com pretensões presidenciais não tinha nada demais. Ou pode mandar Vorcaro pastar pela segunda vez e só voltar quando contar em detalhes por que decidiu financiar um filme sobre o antigo chefe do magistrado.
