Vídeo mostra policial puxando pesquisador em protesto contra políticas de Trump em congresso de diabetes

Vídeos mostram pesquisadores sendo empurrados, tendo documentos arrancados de suas mãos e perdendo seus crachás de acesso por entregarem um editorial com críticas ao desmantelamento da pesquisa no governo Trump. O caso aconteceu em um dos principais congressos de diabetes do mundo, em Nova Orleans.
O grupo era formado por cerca de dez pesquisadores e distribuía cópias de um editorial publicado na revista científica Diabetes Care. No texto, os especialistas apontavam preocupação com políticas recentes do governo Trump que, segundo os autores, ameaçam a ciência e a saúde pública nos Estados Unidos.
Entre os pontos citados estão a redução da adesão às vacinas, a disseminação de desinformação sobre saúde e alimentação, cortes em verbas federais para pesquisa e possíveis impactos sobre a infraestrutura científica do país.
Desde que assumiu, Trump vem anunciando cortes federais às pesquisas e universidades. O governo tem como representante na Saúde Robert F. Kennedy Jr., que se posiciona publicamente como contra vacinas. Desde o início do ano, o país vem enfrentando um surto de sarampo — doença prevenível com vacinas.
Participavam da ação alguns dos nomes mais influentes da pesquisa em diabetes e obesidade nos Estados Unidos. Entre eles estavam Steven Kahn, pesquisador da Universidade de Washington e uma das principais referências mundiais em diabetes; Aaron Kelly, professor da Universidade de Minnesota e especialista em obesidade pediátrica; Desmond Schatz, professor da Universidade da Flórida e um dos principais pesquisadores de diabetes tipo 1 do mundo; e Justin Ryder, pesquisador da Northwestern University.
Vídeos gravados no local mostram policiais abordando de forma truculenta os médicos. Em uma das cenas, um policial puxa o pesquisador Aaron Kelly pelo braço. Em outra, exemplares do editorial são retirados das mãos dos médicos, que até tentam pegar de volta, mas são impedidos. (Veja o vídeo acima)
Nas imagens, Aaron conta que os especialistas chegaram a ser ameaçados de prisão caso não entregassem o editorial e parassem a ação, que descreveu como um protesto pacífico.
Os policiais também arrancaram dos médicos os crachás e, com isso, eles foram impedidos de voltar ao evento.
Nas redes sociais, os pesquisadores afirmam que a distribuição do material fazia parte de um protesto pacífico e questionaram a atuação da segurança e da polícia. Eles acusam a polícia de censura.
Adicionar aos favoritos o Link permanente.