
Tainha-Brasileira (Mugil liza) em captura no mar
paulo_celso_cunha / iNaturalist
O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) encerrou a captura de tainha (Mugil liza) na modalidade de arrasto de praia para a atual temporada. O governo federal suspendeu a atividade logo após os pescadores artesanais atingirem 90% da cota coletiva autorizada para o ano. Descubra mais sobre a espécie e sua importância para o meio ambiente.
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A partir da publicação do comunicado oficial, as embarcações que já operavam no mar receberam um prazo de apenas 24 horas para realizar o último descarregamento do pescado. O comunicado passou a valer a partir do último domingo (7).
O encerramento aos 90% da cota funciona como uma medida de controle pesqueiro para reduzir a pressão sobre os estoques da espécie durante o período reprodutivo.
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O peixe mais esperado do inverno
Mas por que a tainha atrai tanta atenção da pesca?
A biologia do animal o torna extremamente vulnerável nesta época do ano. A tainha é um peixe costeiro cuja alimentação varia ao longo do ciclo de vida, incluindo algas, microalgas, detritos e organismos microscópicos. Durante o outono e o inverno, ela deixa os estuários e forma cardumes no mar para se reproduzir.
Ao migrar em grandes cardumes, a espécie facilita o trabalho das redes de pesca, que interceptam os peixes próximos à costa. Essa previsibilidade biológica é o principal fator que exige um rigoroso sistema de monitoramento governamental.
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Engrenagem do oceano
Taínha-Olhalvo (Mugil cephalus) flagrada saltando
axarus / iNaturalist
“A tainha funciona como uma verdadeira engrenagem para o ecossistema costeiro. Como ela se alimenta de microalgas, detritos e matéria orgânica na base da cadeia alimentar, ela ajuda a transferir energia dentro do ecossistema marinho”, explica Maurício Oliveira, biólogo especializado em vida marinha.
Ele completa dizendo que quando o cardume migra, ele se torna um banquete essencial para predadores de topo, como tubarões e aves marinhas.
“Tirar a tainha do mar de forma descontrolada é o mesmo que tirar a base alimentar de dezenas de outras espécies.”
A interrupção da pesca antes do limite total da cota busca reduzir a pressão sobre os cardumes em período reprodutivo.
“Quando você captura um peixe nesse estágio, não está retirando apenas um indivíduo do oceano, mas um grande número de potenciais descendentes. Frear o arrasto agora garante que as fêmeas sobreviventes desovem e garantam o estoque pesqueiro dos próximos anos”, conclui Oliveira.
A ciência por trás da migração
Pesquisadores acompanham de perto esse movimento biológico, que depende inteiramente do clima e da temperatura da água. O estudo “Determinação do estoque e o ciclo de vida da tainha (Mugil liza) no Sul do Brasil”, publicado por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), detalha essa relação íntima com as condições oceânicas.
Tainha-Brasileira (Mugil liza)
andres_espindola / iNaturalist
“A desova não necessariamente ocorre em um local geográfico determinado e sim quando os cardumes encontram uma condição oceanográfica ideal, principalmente de temperatura superficial do mar”, aponta a pesquisa científica.
A interrupção antecipada da pesca atua diretamente para proteger esse processo. Ao interromper a captura antes do esgotamento da cota autorizada, o sistema garante que os cardumes sobreviventes encontrem as águas ideais, completem o ciclo reprodutivo e ajudem a manter os estoques pesqueiros das próximas temporadas.
Sobre a tainha
Nome popular (nome científico): Tainha-brasileira (Mugil liza)
Família: Mugilidae
Ordem: Mugiliformes
Distribuição: Regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Sul do Brasil.
Alimentação: Algas, microalgas, detritos e organismos microscópicos, especialmente nos diferentes estágios de vida
Reprodução: A espécie realiza migração reprodutiva no outono e inverno, com desova em ambiente marinho costeiro; estuários funcionam como áreas importantes de crescimento dos juvenis.
Onde ocorre: No geral, as tainhas ocorrem em águas salobras, onde costumam mergulhar mais fundo, explorando as zonas mais profundas dos estuários, diferentemente de quando estão em água doce, em que vivem junto à superfície.
Os maiores indivíduos encontrados no Brasil chegam a alcançar um metro de comprimento e pesar até oito quilos.
Ao todo, a família Mugilidae inclui cerca de 70 espécies e 14 gêneros.
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