Defesa de um dos PMs acusados de matar delator do PCC questiona perícia e pede anulação de provas de DNA


Gritzbach: por que 3 investigações apuram ligaçao de delator com policiais e facções
A defesa do cabo da Polícia Militar Denis Antonio Martins, acusado de participar do assassinato de Vinícius Gritzbach, o delator do PCC, no Aeroporto Internacional de São Paulo, protocolou nesta semana um parecer técnico que questiona a validade das provas genéticas usadas pela investigação e pede a anulação dos exames de DNA que ligam o policial ao crime.
O documento foi juntado ao processo nesta segunda-feira (8), duas semanas antes do início do júri popular marcado para os dias 22, 23, 24, 25 e 26 de junho, no Fórum de Guarulhos, na Grande São Paulo.
Denis será julgado ao lado do soldado Ruan Silva Rodrigues e do tenente Fernando Genauro da Silva, todos acusados de participação na execução de Gritzbach no aeroporto em Guarulhos em novembro de 2024. Além dele, um motorista de aplicativo morreu e outras duas pessoas ficaram feridas durante o ataque (leia mais abaixo).
Segundo o parecer, o veículo Volkswagen Gol apontado pela investigação como usado na fuga dos atiradores não teria sido preservado adequadamente para a coleta de material genético.
O cabo da Polícia Militar Denis Antonio Martins, acusado de ser o atirador que executou o delator da facção criminosa PCC, Vinicius Gritzbach.
Montagem/g1/Reprodução/TV Globo
A defesa sustenta que o carro foi encontrado em um dia chuvoso, já havia sido submetido a procedimentos para revelação de impressões digitais e apresentava um dos vidros quebrados antes da realização da perícia genética.
O documento também questiona a forma como mochilas, armas, roupas, luvas e outros objetos apreendidos foram recolhidos, transportados e fotografados pelos investigadores. A assistente técnica afirma que não localizou nos autos registros que permitam reconstruir integralmente o percurso dos vestígios e sustenta que haveria risco de contaminação cruzada entre os materiais analisados.
Entre os pontos levantados, a defesa questiona ainda a coleta de objetos pessoais atribuídos aos acusados para obtenção de material genético de referência, como escova de dentes, aparelho de barbear e peças de vestuário, alegando ausência de documentação fotográfica e de procedimentos que garantiriam a autenticidade dos vestígios.
Com base nessas conclusões, a defesa pede que a Justiça desconsidere os resultados dos exames genéticos utilizados pela acusação ou determine a realização de contraprovas.
DNA de PMs
Os exames de DNA aparecem entre os principais elementos apontados pela Polícia Civil para ligar os acusados à execução de Gritzbach.
Na decisão que determinou que os réus fossem enviados para júri popular, o juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo destacou que uma jaqueta e uma luva encontradas próximas ao local onde foram abandonadas as armas continham material genético compatível com Denis Martins.
A investigação também concluiu que uma das maçanetas do Gol utilizado na fuga apresentou perfil genético compatível com o soldado Ruan Silva Rodrigues, outro PM acusado de atuar como atirador.
Denis e Ruan irão a júri popular por homicídio qualificado pela morte de Gritzbach e por outros crimes relacionados ao ataque ocorrido em novembro de 2024 na área de desembarque do Terminal 2 do Aeroporto de Guarulhos. Eles negam participação no crime.
Caso Gritzbach escancarou o envolvimento de policiais com facções
Arte/g1
Caso Gritzbach
Vinícius Gritzbach foi morto a tiros em 8 de novembro de 2024 ao desembarcar no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos.
Segundo a denúncia do Ministério Público, a execução foi ordenada por integrantes do PCC após Gritzbach firmar acordo de delação premiada e fornecer informações sobre integrantes da facção e policiais suspeitos de corrupção. A acusação sustenta que os executores foram policiais militares contratados para a ação.
Segundo a denúncia do Ministério Público, Denis e Ruan foram os atiradores que executaram Gritzbach com disparos de fuzil na área de desembarque do Terminal 2 do aeroporto. Fernando teria dirigido o veículo usado na ação e na fuga dos executores.
Os três respondem presos pelos homicídios de Gritzbach e do motorista de aplicativo Celso Araújo Sampaio de Novais, além de duas tentativas de homicídio contra pessoas que ficaram feridas durante o ataque.
No parecer apresentado à Justiça, a defesa de Denis sustenta que houve falhas na preservação da cadeia de custódia dos vestígios biológicos e questiona a forma como materiais foram coletados, armazenados e analisados pela perícia. O documento foi elaborado por uma assistente técnica contratada pelos advogados do policial.
Ao todo, seis pessoas foram denunciadas por participação no homicídio. Parte delas já foi encaminhada para julgamento pelo Tribunal do Júri.
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