
Kassio Nunes Marques, ministro presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou nesta segunda-feira (8), a suspensão da divulgação e da manutenção de pesquisa eleitoral do Instituto AtlasIntel sobre a disputa para a cadeira de presidente nas eleições de 2026. A decisão liminar atende a um pedido judicial do Partido Liberal (PL), legenda do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato dos partido à Presidência.
A pesquisa registrada oficialmente na Suprema Corte Eleitoral indica uma redução de seis pontos percentuais nas intenções de voto em Flávio Bolsonaro (PL), num cenário simulado de segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que vai tentar sua reeleição.
Intervenção do PL
A equipe jurídica do PL contestou que a pesquisa focou na estrutura e na forma na qual o questionário foi aplicado ao público pela internet. O partido do senador argumentou ainda que o conteúdo da pesquisa se balizou na temática de envolvimento do senador com o empresário Daniel Vorcaro. Recentemente, vazaram conversas de áudio entre o senador e o dono do Banco Master.
Os argumentos foram aceitos pelo ministro presidente do TSE, que avaliou que o instituto conduziu as avaliações dos eleitores ao fazer perguntas de teor negativo e tendencioso.
Na decisão, o ministro Nunes Marques enfatizou que o questionário em pregava expressões como “esquema de fraudes financeiras”, “escândalo” e “evidências de envolvimento direto”.

Ressaltou ainda que os entrevistados era submetidos a “estímulos narrativos antes das questões relativas à intenção de voto, à rejeição e à imagem pública” e que isso promovia de forma tendenciosa, a “influenciar artificialmente as respostas subsequentes”.
O diálogo vazado na imprensa brasileira mostra que o parlamentar pedindo dinheiro a Vorcaro para o financiamento da produção do filme Dark Horse, obra biográfica sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
De acordo com a queixa do PL, a pesquisa também reproduzia o áudio de forma direta ao entrevistado e exigia uma classificação da conduta antes de abrir os blocos de perguntas tradicionais sobre a corrida eleitoral.
Fundamentos da decisão no TSE
A decisão emitida foi fundamentada principalmente na existência de elementos sólidos que sinalizam comprometer a neutralidade do método de levantamento. Nunes Marques destaca que as perguntas da pesquisa usou termos pejorativos.
O ministro também enfatizou detalhe técnico: o próprio instituto AtlasIntel tem registro de outras 27 pesquisas recentes junto ao Tribunal e que nenhuma delas incluía inserção de arquivos audiovisuais ou questionamentos semelhantes.
O presidente da Corte acrescentou que o CEO da empresa, Andrei Roman, em entrevista a uma emissora, externou juízo de valor público.
Da pesquisa e posicionamento do instituto
O levantamento suspenso e impugnado pelo TSE foi realizado de forma digital e aleatório entre os dias 13 e 18 de maio. Foram coletadas respostas de 5.023 eleitores. A margem de erro é de um ponto percentual para mais ou menos, com 95% de confiabilidade.
Mediante a ordem judicial, a AtlasIntel está proibida de fazer novas divulgações, impulsionamentos ou republicações dos resultados apurados em canais oficiais na internet, sob risco de sofrer penalidades legais.
A direção da empresa emitiu nota sustentando a validade técnica do trabalho.
Em declarações públicas, Andrei Roman rejeitou qualquer hipótese de contaminação dos dados nos cenários. Além disso, ressaltou o emprego da metodologia em pesquisas internacionais.
Segundo o Roman, a pesquisa emprega uma ferramenta própria chamada Atlas VRC, que opera no monitoramento do impacto imediato de discursos políticos e fatos midiáticos de grande repercussão sobre os eleitores, com padrão técnico e de forma neutra.
A pesquisa eselitoral da AtlasIntel não foi a única que apontou queda das intenção de voto para Flávio Bolsonaro, após o escândalo do áudio vazado, de conversas com o dono do Master.
A decisão do ministro Nunes Marques é de caráter liminar e estipula prazo de dois dias para que a empresa envie documentação sobre a metodologia ao TSE.
Depois disso, após uma última análise, o parecer final vai ficar a cargo dos demais ministros do plenário da Corte eleitoral.
