
A guerra como negócio: cresce na Alemanha o mercado de bunkers
Em meio às tensões provocadas pela invasão da Ucrânia pela Rússia, cresce na Alemanha o número de pessoas que investem na construção de bunkers particulares para proteger a família em caso de conflito, ataques ou emergências de grande escala.
Um dos exemplos é o de Christian, morador da Baviera, que decidiu incluir um abrigo subterrâneo no projeto da nova residência da família. Ex-militar, ele conta que a ideia ganhou força após acompanhar as notícias da guerra na Ucrânia e lembrar dos temores que marcaram a Guerra Fria.
Com a ajuda de amigos e do filho de 13 anos, Christian investiu cerca de 45 mil euros — aproximadamente R$ 270 mil — na construção do bunker. O espaço foi planejado para permitir que a família permaneça no local por um período prolongado em caso de emergência.
O abrigo conta com camas, cozinha, banheiro, mesa de jantar e estoques de suprimentos. Além disso, Christian mantém equipamentos voltados para situações extremas, como máscaras de gás, medidor de radiação e colete à prova de balas.
Segundo ele, a iniciativa inicialmente gerou desconfiança dentro de casa.
“No começo, minha mulher achava que eu estava maluco, mas, com o tempo, acompanhando o noticiário, mudou de opinião”, relata.
Febre dos bunkers: abrigos antibomba viram negócio em alta na Alemanha
Reprodução/TV Globo
Mercado em expansão
A história de Christian não é um caso isolado. Empresas especializadas na fabricação de bunkers registram um aumento expressivo da procura desde o início da guerra na Ucrânia.
Segundo o diretor de uma das principais fabricantes do setor, antes do conflito a empresa vendia entre 50 e 70 bunkers por ano. Atualmente, o número chega a cerca de 200 unidades anuais.
Os modelos disponíveis vão desde estruturas familiares semelhantes à construída por Christian até versões mais sofisticadas. Um dos produtos mais procurados é o chamado “Safe Office”, um bunker-escritório instalado no subsolo que permite aos proprietários continuar trabalhando mesmo em cenários extremos. Equipado para resistir a explosões e até à radiação, o modelo pode custar cerca de R$ 800 mil.
Os fabricantes rejeitam a ideia de que estejam lucrando com o medo da população. Para eles, a compra de um bunker segue a mesma lógica de outros investimentos em segurança.
“Muita gente me pergunta se eu vendo segurança ou medo. Eu não tenho problema nenhum com essa questão. Fazemos seguro para a casa, seguro-saúde. Alguém precisa vender bunkers neste país”, afirma um empresário do setor.
Febre dos bunkers: abrigos antibomba viram negócio em alta na Alemanha
Febre dos bunkers: abrigos antibomba viram negócio em alta na Alemanha
Reprodução/TV Globo
Preocupação também chega ao governo
O aumento da procura por abrigos privados ocorre em um momento em que a própria Alemanha discute como reforçar sua capacidade de proteção civil.
Atualmente, o país possui 579 abrigos públicos com capacidade para cerca de 480 mil pessoas — menos de 1% da população. Nenhum deles está operacional.
Diante do cenário de insegurança crescente na Europa, o governo alemão estuda reativar parte dessa infraestrutura, modernizar sistemas de emergência e ampliar os investimentos em defesa. A meta é recrutar 80 mil novos soldados até 2035.
Febre dos bunkers: abrigos antibomba viram negócio em alta na Alemanha
Reprodução/TV Globo
GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Fantástico
Ouça os podcasts do Fantástico
ISSO É FANTÁSTICO
O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo.
