
Ilcicléia Alves Veloso morreu após ser baleada durante uma reunião para assinatura do divórcio e da partilha de bens com o ex-marido, o vereador e ex-prefeito Romildo Veloso e Silva (PP). O encontro ocorreu dentro de um escritório de advocacia. Ela chegou a ser socorrida em estado gravíssimo, mas não resistiu.
Romildo, que também era médico e teve longa carreira política, foi encontrado morto no mesmo imóvel logo depois dos disparos. A Polícia Civil investiga o caso como feminicídio seguido da morte do suspeito. A vítima, conhecida como Leia Veloso, tinha 41 anos e deixa três filhos.
O crime ocorreu na quarta-feira (03), em Ourilândia do Norte, no sudeste do Pará. A morte de Ilcicléia foi confirmada na quinta-feira (04) pelo Hospital Regional da PA-279, onde ela estava internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), e pela Polícia Civil.
Segundo a Polícia Militar (PM), Ilcicléia e Romildo foram ao escritório para formalizar o fim do casamento. O casal estava separado havia três meses. Ainda conforme a PM, o vereador não aceitava o término.
Funcionários relataram aos policiais que Romildo pediu ao advogado para conversar a sós com a ex-esposa. O advogado deixou a sala. Pouco depois, pessoas que estavam no local ouviram os disparos e acionaram a polícia.
Quando os policiais chegaram, encontraram Ilcicléia ainda com sinais vitais. Ela recebeu os primeiros socorros e foi levada ao Hospital Municipal de Ourilândia do Norte. No fim da tarde, foi transferida para o Hospital Regional da PA-279.
Romildo foi encontrado morto no banheiro do escritório. Uma arma foi localizada no local, segundo a polícia.
Segundo a Prefeitura, Romildo foi prefeito de Ourilândia do Norte (PA) por quatro mandatos, que somados representam 16 anos à frente da administração municipal.
Prefeitura homenageou vereador após o crime
A Prefeitura de Ourilândia do Norte publicou uma nota de pesar pela morte de Romildo Veloso e Silva e decretou luto oficial de três dias. No comunicado, a administração municipal afirmou que o político “contribuiu para o desenvolvimento e crescimento” da cidade.
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A homenagem foi feita mesmo após o crime que levou Ilcicléia à internação em estado gravíssimo e no mesmo período em que Romildo já era apontado pela polícia como suspeito dos disparos contra a ex-esposa.
Horas depois, a Prefeitura também publicou uma manifestação de solidariedade à vítima. Na nota, a administração afirmou que Ilcicléia, conhecida como Leia Veloso, foi primeira-dama e empresária no município.
O iG entrou em contato com a Prefeitura de Ourilândia do Norte para questionar se a administração municipal tinha ciência de que Romildo era o principal suspeito de atirar contra Ilcicléia no momento em que publicou a nota de pesar e decretou luto oficial. A reportagem também perguntou se a Prefeitura pretende rever a homenagem. O espaço segue aberto para manifestação.
A família de Romildo, em publicação nas redes sociais do vereador, afirmou que ele teve “uma vida dedicada ao cuidado das pessoas, ao serviço público e ao amor por Ourilândia do Norte”.
A Polícia Civil segue responsável pela investigação.
