
O processo de desocupação da Favela do Moinho está próximo da conclusão, segundo o secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação do Estado de São Paulo, Marcelo Branco. De acordo com ele, restam apenas 14 famílias na área, das quais quatro já escolheram os imóveis para onde serão transferidas e têm a mudança programada para os próximos dias.
A maior parte das famílias já foi reassentada por meio de uma parceria entre o Governo do Estado e o Governo Federal. Segundo o secretário, a CDHU foi responsável pela remoção de mais de 800 famílias, enquanto um grupo menor ficou sob responsabilidade da União.

Marcelo Branco afirmou que as famílias que ainda permanecem no local fazem parte da etapa final do processo. Destas, algumas dependem da conclusão dos procedimentos conduzidos pelo Governo Federal para serem transferidas para suas novas moradias.
O secretário explicou ainda que três das famílias atualmente presentes na área não são elegíveis para os programas habitacionais previstos no acordo firmado entre os governos estadual e federal. Segundo ele, essas ocupações ocorreram após o início do processo de reassentamento e, por isso, não constavam na lista original de beneficiários definida pelo convênio.
Para acelerar a conclusão da operação, a CDHU assumiu parte dos atendimentos que inicialmente estavam sob responsabilidade de outros órgãos. “Já temos os imóveis definidos para essas famílias e a expectativa é que as mudanças ocorram nos próximos dias”, afirmou.
Casa Paulista
Com R$ 9 bilhões investidos em 30 meses e cerca de 87 mil moradias já entregues, o Casa Paulistase tornou a principal aposta do Governo de São Paulo para reduzir o déficit habitacional no estado.
Considerado o maior programa habitacional da história paulista, o Casa Paulista prevê a entrega de 200 mil unidades habitacionais. Além das moradias já concluídas, outras 117 mil seguem em construção em diferentes regiões do estado.
Segundo Marcelo Branco, o volume de investimentos realizado nos primeiros 30 meses da atual gestão equivale ao total aplicado na área habitacional ao longo dos oito anos anteriores de governo estadual.
O programa reúne diferentes frentes de atuação voltadas à ampliação do acesso à moradia.
Uma delas é a concessão de subsídios para que famílias de baixa renda consigam adquirir imóveis produzidos pela iniciativa privada com financiamento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). De acordo com o secretário, essa modalidade tem permitido que famílias com renda média próxima de dois salários mínimos ingressem no mercado formal de habitação.
Além dos subsídios, o Casa Paulista também engloba os empreendimentos construídos diretamente pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU). Nesse modelo, os municípios disponibilizam os terrenos e a CDHU fica responsável pela licitação, execução das obras, implantação da infraestrutura e financiamento das unidades aos futuros moradores.
Centro em transformação
Outra frente destacada pela secretaria é a revitalização da região central da capital paulista por meio do programa Requalifica Centro. Recentemente, o Governo do Estado ampliou o perímetro de atuação da iniciativa e flexibilizou regras para projetos de retrofit, ampliando as possibilidades de recuperação de edifícios ociosos ou degradados.
Segundo o secretário, a preservação dos imóveis históricos está diretamente ligada à sua ocupação e utilização. Por isso, a estratégia da Secretaria da Habitação tem sido incentivar a transformação de prédios com potencial residencial em novas moradias, ao mesmo tempo em que respeita as características e vocações de cada imóvel.
Com a ampliação da área contemplada pelo programa, empresas interessadas passam a ter mais espaço para apresentar projetos de recuperação e reutilização dos edifícios. A proposta é permitir que o setor privado apresente soluções para os imóveis, desde que sejam respeitadas as regras de preservação do patrimônio histórico e as diretrizes urbanísticas da região central.
Em entrevista ao iG, o secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação do Estado de São Paulo citou a retirada de famílias de áreas de risco e a ampliação das parcerias para financiamento habitacional como marcas que pretende deixar na gestão. pic.twitter.com/eNydmjbSTn
— iG (@iG) June 11, 2026
Marcelo Branco afirma que o objetivo não é apenas restaurar construções antigas, mas garantir que elas voltem a cumprir uma função social e urbana. “A utilização é tão importante quanto a recuperação do patrimônio histórico”, destacou.
Como exemplo dessa estratégia, o secretário citou um acordo recente firmado com a Faculdade de Direito da USP, no Largo São Francisco. Pelo convênio, o Estado deverá construir uma biblioteca e um centro de estudos em um terreno localizado em frente à instituição. Em contrapartida, receberá um edifício atualmente ocupado de forma irregular, que passará por recuperação para voltar a ser utilizado como moradia, contribuindo para a requalificação da região central.
Atendimento no Jaguaré
Após o acidente no Jaguaré, na zona oeste da capital, provocado pelo rompimento de uma tubulação de gás durante uma obra relacionada à Sabesp, o Governo de São Paulo atuou para garantir atendimento habitacional às famílias afetadas.
Segundo o secretário Marcelo Branco, a CDHU instalou uma unidade móvel próxima ao local do incidente para realizar o cadastramento e o acompanhamento das famílias. O trabalho envolveu não apenas a identificação dos moradores, mas também o levantamento das necessidades específicas de cada núcleo familiar, como demanda por escolas, atendimento a idosos e acessibilidade para pessoas com deficiência.
De acordo com o secretário, a estrutura habitacional já existente permitiu uma resposta mais rápida à situação. Como o Estado possui um grande volume de unidades em construção e algumas moradias disponíveis para ocupação imediata, foi possível disponibilizar imóveis para atender as famílias atingidas.
