
Moradores de Americana acordaram assustados na manhã desta quarta-feira (10) ao encontrarem o córrego Santa Angélica com a água em tom avermelhado. O curso d’água fica na Avenida Nossa Senhora de Fátima e chamou a atenção de quem passava pelo local.

Inicialmente, a prefeitura suspeitou que o problema tivesse sido causado pelo entupimento de uma tubulação de esgoto próxima ao córrego. Equipes do Departamento de Água e Esgoto (DAE) realizaram a desobstrução e fizeram reparos na rede, mas a hipótese acabou descartada ao longo do dia.
Origem do despejo foi identificada
Por volta das 17h, o DAE informou que a substância lançada no córrego vinha de uma indústria têxtil localizada em um condomínio industrial da cidade.
Segundo a apuração inicial, houve um problema nas instalações internas da empresa, possivelmente relacionado à rede coletora de esgoto, o que teria provocado o desvio de efluente industrial para a galeria de águas pluviais que desemboca no córrego.
Ainda de acordo com o departamento, a empresa interrompeu temporariamente a atividade de tinturaria e afirmou que adotará medidas para corrigir a falha. O prazo estabelecido para regularização é de 30 dias.
A infração ambiental foi encaminhada para a Secretaria de Meio Ambiente, responsável por aplicar as penalidades cabíveis. O caso também é acompanhado pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), já que a empresa possui licenciamento ambiental junto ao órgão estadual.
A identidade da empresa envolvida não foi divulgada pelas autoridades e foi preservada durante a apuração do caso.
Outro episódio ambiental acendeu alerta na cidade
O caso do córrego Santa Angélica não é o primeiro episódio de poluição ambiental registrado em Americana neste ano. Em abril, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) multou a multinacional de pneus Goodyear por descarte irregular de óleo e graxa em um córrego entre a Vila Bertini e o Parque Nova Carioba.
A situação foi descoberta por um morador da região, integrante de um grupo de proteção ambiental, que encontrou uma substância escura semelhante à graxa em pontos de difícil acesso do curso d’água. Após a denúncia, equipes da prefeitura e da Cetesb realizaram vistorias e identificaram vestígios de óleo próximos à saída de resíduos tratados da empresa.
Na ocasião, a Goodyear recebeu multa de R$ 115,2 mil e foi obrigada a apresentar um plano de recuperação ambiental, além de comprovar a remoção dos resíduos e corrigir falhas no sistema de tratamento de efluentes. A empresa informou que estava em contato com os órgãos responsáveis para adotar as medidas necessárias.
