
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre o pedido da Polícia Federal para transferir o banqueiro Daniel Vorcaro da carceragem da Superintendência, em Brasília. A decisão ocorre em meio às negociações envolvendo uma possível colaboração premiada do empresário e após a rejeição de uma nova proposta de delação apresentada por sua defesa. As informações são da CNN Brasil.
Segundo a PF, Vorcaro está há quase três meses custodiado nas dependências da corporação na capital federal. A CNN informou que a polícia defende que ele seja encaminhado ao Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal, argumentando que as celas da superintendência são destinadas principalmente à permanência temporária de presos antes da transferência para unidades prisionais.
O pedido de remoção ocorre no mesmo momento em que os investigadores rejeitaram a segunda proposta de colaboração premiada apresentada pelo ex-banqueiro. A avaliação da Polícia Federal foi de que o material entregue não trouxe informações inéditas nem provas capazes de justificar um acordo como pretendido pela defesa.
Antes de decidir sobre a transferência, Mendonça determinou que a PGR apresente seu posicionamento. A manifestação é vista como importante porque o órgão também participa das negociações relacionadas à possível delação.
Nesta sexta-feira (12), também termina o prazo concedido pelo ministro para que os advogados tivessem acesso ampliado ao empresário com o objetivo de preparar os anexos da proposta de colaboração. No entanto, o prazo poderá ser prorrogado pelo relator caso considere necessário.
PF rejeitou nova proposta de delação
A segunda tentativa de acordo apresentada pela defesa de Vorcaro foi rejeitada pelos investigadores na quarta-feira (10), após análise do conteúdo entregue à Polícia Federal.
De acordo com a avaliação da corporação, os relatos acrescentavam pouco ao que já havia sido identificado pelas investigações. Os delegados também entenderam que parte do material tinha caráter defensivo e não apresentava elementos que provavam suficientes para justificar os benefícios previstos em uma colaboração premiada.
🔍Usada frequentemente em casos de corrupção e investigações de organizações criminosas, a colaboração premiada é um acordo em que um investigado fornece informações e provas relevantes para ajudar as autoridades a esclarecer crimes. Em troca, ele pode receber benefícios previstos em lei, como redução de pena.
Apesar da negativa, as negociações não foram encerradas. A defesa segue discutindo um possível acordo tanto com a Polícia Federal quanto com a Procuradoria-Geral da República.
Interlocutores do empresário sustentam que a proposta contém informações relevantes e inéditas. Já os investigadores mantêm a avaliação de que ainda há fatos sendo omitidos.
Entenda o caso Master

Daniel Vorcaro está preso desde março e é apontado pelas autoridades como peça central das investigações envolvendo o Banco Master.
Segundo informações divulgadas anteriormente pelo iG, a Polícia Federal apura um suposto esquema de fraudes financeiras que pode ter movimentado até R$ 12 bilhões. As investigações tiveram novos desdobramentos após a apreensão de mais de oito celulares pertencentes ao empresário.
A análise inicial dos aparelhos levou os investigadores a ampliar o escopo das apurações. Além das suspeitas de irregularidades financeiras, surgiram indícios relacionados a possíveis crimes de corrupção, organização criminosa e utilização de uma suposta estrutura paralela para monitoramento de adversários e obtenção de informações sigilosas.
Os investigadores também avaliam que o conteúdo extraído dos dispositivos eletrônicos pode fornecer elementos considerados mais relevantes do que aqueles apresentados até agora nas propostas de colaboração premiada.
No mês passado, por decisão judicial obtida a pedido da Polícia Federal, Vorcaro deixou uma sala especial de Estado-Maior e passou a cumprir custódia na carceragem da Superintendência da PF em Brasília, submetido às regras internas da corporação para visitas e contatos externos.
A defesa do empresário nega irregularidades e continua negociando um possível acordo de colaboração com as autoridades.
